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Economia

Associação de apostas rebate ministro da Fazenda e diz que mercado clandestino cresceu com proibição

Entidade afirma que proibição do mercado regulado causou aumento de sites ilegais e questiona queda de movimentação informada pelo governo.

Por Redação Diário Local

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) rebateu declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta sexta-feira (2), sobre a queda na movimentação de apostas no Brasil. Segundo a entidade, a proibição do mercado regulado não zerou o setor, mas causou um aumento significativo de sites ilegais e a migração de usuários para o mercado clandestino.

O ministro da Fazenda havia informado que o volume de apostas caiu de R$ 600 milhões por dia para zero após a implementação da proibição. A ANJL, que representa as empresas de apostas no país, argumenta que não é possível afirmar que a movimentação parou, alegando que o fluxo apenas mudou de ambiente.

Contestação de dados sobre o Pix

A associação também questionou a interpretação de dados do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central (BC). O BC divulgou que as movimentações via Pix caíram 10% nos três dias seguintes à edição da Medida Provisória (MP) que proibiu as apostas de quota fixa, no período de 26 a nesta segunda-feira (28).

Para a ANJL, essa redução não pode ser atribuída diretamente à proibição. A entidade afirma que a série histórica mostra que o número de transações já estava em queda antes do anúncio da MP, ocorrido em 25 de setembro. Entre os dias 22 e 24 de setembro, a quantidade de Pix já estava entre 7% e 12% abaixo da referência.

A associação defende que a análise deve considerar o comportamento mensal do Pix, visto que o fim do mês costuma registrar uma retração natural nas transações por ser um método de pagamento à vista. Para mitigar essa variação, a entidade realizou uma comparação entre períodos equivalentes do calendário.

Volume financeiro e metodologia

Ao comparar o quarto final de semana de agosto com o mesmo período de setembro, a ANJL observou que, embora o número de transações tenha caído 3,0% (de 627,6 milhões para 608,6 milhões), o volume financeiro movimentado cresceu 3,7%, subindo de R$ 177,1 bilhões para R$ 183,7 bilhões.

O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, explicou que a diferença entre a queda de 10% citada pelo governo e os dados da associação pode estar na metodologia. Segundo ele, o cálculo do BC toma como base a média das quatro semanas anteriores, sem neutralizar as variações de comportamento entre as semanas.

Lemos Jorge concluiu que os dados disponíveis não permitem vincular automaticamente a redução das transações à proibição do mercado regulado, pois a tendência de queda já estava presente antes da medida governamental.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.