B3 busca atrair formadores de mercado para ampliar liquidez em crédito privado
Bolsa lança projeto no próximo mês com objetivo de trazer mais fluxo de informações e negociações ao mercado secundário de crédito, que movimenta cerca de R$ 8 bilhões por dia.
Por Diário Local
A B3 vai lançar no próximo mês um projeto para atrair formadores de mercado à sua plataforma de renda fixa Trademade, com objetivo de ampliar a liquidez no mercado secundário de crédito privado. A iniciativa inclui conversas com plataformas, gestoras e corretoras para trazer mais negociações e melhorar o fluxo de informações aos investidores.
O anúncio foi feito pelo vice-presidente de produtos e clientes da B3, Luiz Masagão, durante evento realizado em São Paulo. Segundo ele, a medida busca não apenas aumentar a liquidez no mercado secundário, que atualmente negocia cerca de R$ 8 bilhões por dia, mas também impulsionar o mercado primário de crédito.
Para Masagão, o crescimento do mercado secundário tem potencial para atrair novos produtos de investimento. A ampliação de negociações e a melhor disponibilidade de informações devem criar um ambiente mais atrativo para participantes do mercado.
ETFs ativos aguardam sinal da CVM
A B3 negocia com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a autorização para ETFs ativos, fundos que replicam um índice de mercado. Embora a CVM tenha autorizado esses produtos em casos anteriores, os gestores locais aguardam uma comunicação oficial do regulador direcionada especificamente ao mercado brasileiro.
Segundo Masagão, a comunicação formal do regulador é importante para que os gestores locais tenham segurança regulatória para lançar seus produtos. A demora na orientação oficial deixa o mercado em espera por esses novos fundos.
Leto lança ETF de crédito lastreado em índice próprio
A Leto, gestora de crédito privado originária da JGP Gestão de Crédito, vai lançar um ETF de crédito lastreado no índice IDEX, calculado pela própria gestora. O produto é proposto como alternativa para investidores institucionais às LFTs (Tesouro Selic).
O ETF poderá ser utilizado como garantia em operações na bolsa, ampliando suas possibilidades de uso. A iniciativa acompanha a tendência de crescimento no mercado de ETFs, que tem atraído investidores em busca de diversificação.
Alexandre Muller, diretor de investimentos da Leto, afirmou que o novo produto oferece uma opção de investimento diferenciada para o segmento institucional. A gestora aposta que o ETF preencherá uma lacuna entre os títulos de renda fixa tradicionais e as opções mais sofisticadas de alocação.
Plataforma de dados reduz falta de transparência no crédito
A Leto também reforça o índice IDEX com o lançamento de uma plataforma de dados automatizados de crédito privado. A ferramenta oferecerá referências de preços para mais ativos do segmento, ajudando a resolver um problema crônico do mercado.
Atualmente, apenas 30% dos ativos de crédito privado têm fonte centralizada de informação de preço, segundo Muller. Essa falta de transparência aumenta o risco de mercado para investidores e limita a negociação de títulos no mercado secundário.
A plataforma de dados automatizados da Leto busca preencher essa lacuna, fornecendo referências de preços mais abrangentes. Com mais informações disponíveis, investidores terão maior segurança para negociar e precificar seus ativos de crédito.
O projeto da Leto integra-se às iniciativas mais amplas da B3 para modernizar e expandir o mercado de crédito privado no Brasil. Juntas, as medidas devem criar um ambiente de mercado mais líquido, transparente e atrativo para diferentes tipos de investidores.
