Dólar sobe para R$ 5,20 com expectativa de juros mais altos nos EUA
Moeda americana dispara refletindo aversão ao risco global e sinais de inflação resiliente nos EUA, enquanto Ibovespa fecha praticamente estável.
Por Diário Local
O dólar disparou 0,90% nesta quarta-feira (1º/7), fechando cotado a R$ 5,20 ante o real. Durante a sessão, a moeda americana chegou a superar essa marca, atingindo R$ 5,21. No mesmo período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), registrou queda de 0,19%, aos 171,7 mil pontos — um resultado que, na prática, indica estabilidade, embora tenha oscilado bastante ao longo do pregão, tocando mínima de 169,7 mil pontos às 10 horas.
A disparada do dólar reflete um cenário global de aversão ao risco alimentado por sinais vindos do exterior, principalmente dos Estados Unidos. Dados recentes de emprego americano, divulgados pelo relatório ADP de junho, vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de um mercado de trabalho resiliente. Simultaneamente, indicadores de inflação continuam elevados, sugerindo que a economia dos EUA permanece aquecida e o custo de vida segue resistente.
Essa combinação de mercado de trabalho apertado e inflação resiliente alterou as projeções dos agentes econômicos, que agora esperam novo aumento de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano. O presidente do Fed, Kevin Warsh, manteve uma leitura de que os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo, sustentando a moeda e os rendimentos dos títulos da dívida americana.
Quando o Fed sinaliza elevação das taxas de juros, os títulos públicos americanos — considerados porto seguro do sistema financeiro global — passam a oferecer rendimentos maiores, atraindo investimentos internacionais. A expectativa de juros mais altos nos EUA reduz drasticamente a entrada de capital estrangeiro na Bolsa brasileira.
Os grandes fundos internacionais preferem retirar seu capital de ativos de risco, como as ações do Ibovespa, e alocá-lo na segurança e na rentabilidade garantida da renda fixa americana — os Treasuries, títulos da dívida americana. Esse movimento explica tanto a disparada do dólar frente ao real quanto a redução de liquidez no mercado acionário brasileiro.
O Ibovespa também foi impactado pela forte correção nos mercados de energia. O preço internacional do barril de petróleo caiu expressivamente, movimento que ganhou força após o arrefecimento do conflito geopolítico entre Irã e Estados Unidos. Com a redução das tensões e menor temor de interrupção no fornecimento global da commodity, o prêmio de risco atrelado à guerra foi retirado dos preços.
O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em queda de 1,89%, a US$ 71,57. O West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos EUA, caiu 1,32%, a US$ 68,58. Ambos os valores estão próximos do patamar vigente antes do conflito, deflagrado em 28 de fevereiro.
Como o Ibovespa é extremamente dependente de matérias-primas, esse recuo do petróleo puxa para baixo as ações de grande peso, como a Petrobras, impactando a performance do índice. A combinação de aversão ao risco internacional e queda nos preços de commodities explicam a abertura negativa do mercado acionário brasileiro nesta quarta.
Bolsas globais sofrem com cautela
O cenário de aversão ao risco afetou mercados em todo o mundo. Na Europa, os principais índices fecharam em queda, à exceção da Alemanha. O Stoxx 600, que reúne ações de empresas de 17 países do continente, baixou 0,31%. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,18% e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,79%. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,29%.
Em Wall Street, as bolsas apresentaram sinais mistos. O S&P 500 recuava 0,09%; o Dow Jones subia 0,06%; e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, baixava 0,46%.
Sanções americanas geram preocupação
Parte dos analistas avalia que o resultado do Ibovespa também foi afetado pelas sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra dois cidadãos e três empresas do Brasil, por suposta ligação com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O fato trouxe preocupação aos mercados, uma vez que esse tipo de medida pode se estender e afetar outros setores da economia.
A combinação de fatores externos — expectativa de juros americanos elevados, queda do petróleo e incerteza sobre novas sanções — determinou o desempenho negativo dos ativos brasileiros nesta quarta-feira, marcando a abertura de julho sob pressão.
