FII Cartesia suspende dividendos e desaba 14,7% em pregão, perdendo R$ 369 mi em valor
O fundo imobiliário CACR11 comunicou a suspensão de rendimentos e convoca assembleia para discutir a retenção de até 95% do resultado do primeiro semestre.
Por Diário Local
O fundo imobiliário CACR11 (Cartesia Recebíveis Imobiliários) suspendeu a distribuição de dividendos e registrou queda de 14,7% na sessão desta quarta-feira (1º de julho), caindo para R$ 23,32 por cota. Com a desvalorização, o fundo perdeu aproximadamente R$ 369 milhões em valor de mercado desde que era negociado próximo de R$ 100 um ano atrás.
A cota agora é cotada a apenas 24% do valor patrimonial (P/VP de 0,24), o que representa um desconto de 76% sobre os ativos do fundo. Apesar da queda, o CACR11 mantém patrimônio líquido de R$ 472 milhões, apesar de ser avaliado em aproximadamente R$ 112 milhões na Bolsa.
O fundo reúne mais de 25 mil cotistas e possui liquidez média diária de cerca de R$ 735 mil, conforme dados divulgados pela gestora.
Nos últimos 12 meses, o fundo acumula desvalorização de 76,7%. Apenas no último mês, o tombo superou 15%.
Assembleia discutirá retenção de até 95% dos resultados
A deterioração das cotas motivou a Cartesia Capital a convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para discutir a retenção dos resultados do primeiro semestre de 2026. Na votação eletrônica, que ocorre até 16 de julho, os cotistas deliberarão sobre a não distribuição de, no mínimo, 95% dos resultados apurados no semestre.
A proposta contraria a prática tradicional dos fundos imobiliários, que costumam distribuir a maior parte do lucro semestral aos investidores. Segundo a gestora, os recursos permanecerão no caixa do fundo para reforçar a liquidez, financiar investimentos em imóveis que integram o patrimônio e fazer frente a eventuais despesas extraordinárias.
A votação ocorrerá por meio da plataforma Cuore, e o resultado será divulgado em 17 de julho.
Em comunicado ao mercado, a Cartesia afirmou que a suspensão dos dividendos não altera a qualidade das garantias das operações investidas. A gestora ressaltou que os ativos seguem amparados por garantias reais.
A interrupção dos proventos ocorre em contexto mais desafiador para o crédito imobiliário. O fundo possui exposição a Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ligados a projetos de desenvolvimento, muitos ainda em estágio inicial.
Esse perfil aumenta o risco em momentos de juros elevados e desaceleração econômica, cenário atual do mercado imobiliário brasileiro.
A Cartesia reiterou que continuará trabalhando para restabelecer a posição de liquidez do fundo "no menor prazo possível".
Cotistas já tinham reprovado balanço de 2025
A insatisfação dos investidores com a gestão já havia se manifestado recentemente. Os cotistas do CACR11 rejeitaram as demonstrações financeiras do fundo referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025.
Embora a reprovação do balanço não implique automaticamente a identificação de irregularidades ou fraudes nas demonstrações financeiras, a decisão serve como sinal de insatisfação dos investidores em relação às informações apresentadas pela administração do fundo.
A rejeição costuma resultar em pedidos adicionais de esclarecimentos ou na adoção de medidas posteriores pelos prestadores de serviço, sinalizando tensão entre cotistas e gestora.
