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Economia

Banco Central afirma que nova regra contábil explica 40% da alta na inadimplência no país

Autoridade monetária aponta que implementação da Resolução 4.966 do CMN elevou o indicador de atrasos no Sistema Financeiro Nacional

Por Redação Diário Local

O Banco Central (BC) afirmou que cerca de 40% do aumento recente da inadimplência no Sistema Financeiro Nacional (SFN) decorre da implementação da Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo a autoridade monetária, o efeito é de natureza contábil e não representa necessariamente um aumento imediato de novos atrasos.

A norma estabelece novas regras para a classificação e o reconhecimento de perdas em operações de crédito. Com a medida, os bancos devem reclassificar determinados ativos financeiros e reconhecer provisões maiores para operações renegociadas, o que eleva contabilmente o índice de inadimplência.

De acordo com o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (24), o indicador de atrasos superiores a 90 dias chegou a 4,9% em julho, registrando o maior nível da série histórica acompanhada pelo órgão.

Por que a inadimplência e o endividamento subiram?

O BC associou a dinâmica do crédito ao patamar da taxa Selic, que, mantida em nível contracionista por um período prolongado, elevou a taxa média das operações. Com isso, modalidades como o crédito consignado e o financiamento de veículos perderam força, levando as famílias a buscarem alternativas como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial.

Os dados do relatório apontam que o comprometimento da renda das famílias atingiu 28,9% em junho, o maior valor desde o início da série em 2005. O endividamento alcançou 49,9% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias (RNDBF).

No segmento do crédito rural direcionado para pessoas físicas, a inadimplência atingiu 8,8%, nível considerado recorde. O BC atribuiu o cenário no setor ao custo financeiro elevado, à quebra de safras e à compressão de margens no agronegócio.

O que aconteceu com o consumo das famílias?

O consumo das famílias registrou queda de 0,4% no segundo trimestre de 2026 em comparação ao primeiro trimestre do mesmo ano. O Banco Central relacionou essa perda de ritmo ao fim de medidas que haviam elevado temporariamente a renda disponível, como a antecipação de precatórios, o reajuste do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

Com o recuo desses efeitos, o rendimento médio real habitual das famílias caiu 0,6% no trimestre. Em contrapartida, a taxa de desocupação registrou 5,4%, o menor nível da série histórica.

Quais são as projeções para o crédito?

O Banco Central projeta que o saldo total de crédito no SFN cresça 9,1% em 2026, com uma leve revisão para cima em relação à estimativa anterior de 9,0%. Para 2027, a previsão de crescimento é de 8,8%.

Para o segmento de pessoa física, a projeção de alta é de 9,8% para 2026 e 9,2% para 2027. Já para pessoa jurídica, a estimativa é de 8,0% em 2026 e 8,2% em 2027.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.