Bilionário tcheco negocia compra de 14% da Pirelli por US$ 1,14 bilhão
Michal Strnad está em conversas para adquirir participação minoritária na empresa italiana de pneus, reduzindo influência da estatal chinesa Sinochem na companhia.
Por Diário Local
O bilionário tcheco Michal Strnad está em negociações para adquirir 14% da Pirelli & C. SpA, fabricante italiana de pneus, reduzindo a participação da estatal chinesa Sinochem Holdings Corp. na companhia de cerca de 34% para aproximadamente 20%. A operação, avaliada em pouco mais de US$ 1,14 bilhão pelos preços atuais de mercado, representa um avanço em esforço diplomático e politicamente sensível para limitar a influência chinesa na empresa.
As conversas ainda estão em andamento e não há garantia de que um acordo será fechado. De acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, uma estrutura básica de preço das ações com pagamento de prêmio já foi discutida. No cenário mais otimista, o fechamento poderia ocorrer no fim de julho.
O principal obstáculo para a conclusão do negócio é a aprovação da Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais da China (SASAC), órgão responsável por supervisionar empresas estatais do país. Representantes de Strnad, da Sinochem e da Pirelli se recusaram a comentar sobre as negociações.
A transação ganha importância à medida que a Pirelli expande sua tecnologia de pneus conectados. Os Cyber Tyre, equipados com sensores, são capazes de coletar informações em tempo real sobre as condições de rodagem e desempenho do pneu.
Por que a preocupação com a presença chinesa?
A participação chinesa na Pirelli tem sido alvo de escrutínio nos Estados Unidos, um dos principais mercados da companhia, por questões relacionadas à segurança nacional e ao compartilhamento de dados. Autoridades americanas temem que a tecnologia de pneus conectados e os dados coletados possam ser acessados por órgãos do governo chinês.
O governo da Itália utiliza seus poderes especiais de intervenção em empresas estratégicas — conhecidos como golden power — para limitar a influência da Sinochem na Pirelli. As restrições impostas incluem limites à representação da estatal chinesa no conselho de administração e a determinados direitos de governança enquanto sua participação permanecer acima de 9,99%.
Nas últimas semanas, a Pirelli promoveu mudanças significativas em seu conselho e na liderança executiva. A companhia nomeou o ex-presidente-executivo e acionista relevante Marco Tronchetti Provera como presidente executivo, apesar da oposição dos acionistas chineses.
A entrada de Strnad, controlador do grupo de defesa tcheco CSG NV, reforçaria ainda mais a presença de capital europeu na companhia. O bilionário tcheco tem experiência em investimentos em setores sensíveis: em 2022, seu grupo adquiriu 70% da fabricante italiana de munições Fiocchi Munizioni e comprou a participação restante no ano passado.
As ações da Pirelli subiram 4,1% em Milão após a divulgação da notícia sobre as negociações. Antes desta sexta-feira, o papel acumulava alta de 17% em 2026, refletindo otimismo do mercado com possíveis mudanças na estrutura acionária da companhia.
Segundo reportagem anterior, Strnad e o bilionário tcheco Pavel Tykac tinham interesse inicial em adquirir conjuntamente entre 10% e 20% da participação da Sinochem na Pirelli. No entanto, Tykac não participa mais das negociações, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. Um porta-voz da Sev.en Global Investments, empresa de Tykac, se recusou a comentar sobre o assunto.
A CSG, sediada em Praga, abriu capital na bolsa de Amsterdã neste ano, na maior oferta pública inicial de ações já realizada por uma empresa exclusivamente voltada ao setor de defesa. A entrada do grupo em negociações pela Pirelli alinha-se com sua estratégia de expansão em setores estratégicos europeus.
