BNDES estuda participação em projeto de refinaria de terras raras em Minas Gerais
Banco de desenvolvimento demonstra interesse em apoiar planta de separação de minérios em Poços de Caldas.
Por Redação Diário Local
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estuda participar do projeto de uma futura planta de refino e separação de óxidos de terras raras em Minas Gerais. O banco avalia a possibilidade de entrar como sócio do empreendimento, vinculado às empresas Lynas Rare Earths e Meteoric Resources.
A participação do banco de desenvolvimento está em fase de discussão quanto ao formato do apoio. As opções incluem a concessão de financiamento ou a entrada via participação acionária, o que permitiria ao banco deter uma fatia do negócio por meio da BNDESPar, seu braço de participações.
A possibilidade de atuação do banco ganhou destaque durante uma teleconferência realizada pela mineradora australiana Lynas com investidores nesta quinta-feira (1º). Daniel Havas, vice-presidente de Estratégia e Relações com Investidores da companhia, afirmou que o BNDES demonstrou grande interesse no projeto.
O que muda para a região de Poços de Caldas?
A planta prevista para a região de Poços de Caldas pode ter um alcance maior do que o atendimento exclusivo ao projeto Caldeira, controlado pela Meteoric. Existe a possibilidade de a unidade funcionar como um polo de processamento, recebendo matéria-prima de outros projetos de terras raras da região.
Nesse cenário, a instalação concentraria etapas complexas da cadeia produtiva para diferentes minas. O desenho final da operação dependerá da compatibilidade técnica entre os produtos das diversas minas envolvidas.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a proposta apresentada ao governo prevê uma planta de separação de óxidos de terras raras na região. Segundo o ministro, a unidade tem potencial para se tornar uma das maiores do setor fora da China.
Desafios e etapas do investimento
Apesar das conversas, a Lynas mantém cautela sobre a decisão definitiva de construir a planta no Brasil. O movimento ocorre porque a empresa ainda passa pelo processo de aquisição da Meteoric, em uma operação avaliada em A$ 968 milhões (cerca de R$ 3,5 bilhões).
A transação da Lynas para comprar 100% da Meteoric ainda depende de aprovações de acionistas, da Justiça australiana e de autoridades brasileiras. Por isso, a empresa utiliza termos como "avaliar" e "potencial" em suas comunicações ao mercado.
A possível entrada do BNDES é vista como um fator que pode reduzir incertezas sobre o financiamento de uma nova estrutura industrial no país. O movimento acompanha as diretrizes de uma política sancionada em setembro para aumentar a agregação de valor aos minerais críticos dentro do Brasil.
