Brasil precisa agregar valor a recursos naturais para liderar bioeconomia, afirma executiva
Para o Instituto Clima e Sociedade, o país deve superar a exportação de matéria-prima bruta para gerar empregos e renda sustentáveis.
Por Redação Diário Local
O Brasil precisa deixar de atuar apenas como exportador de minérios, biomassa e energia para passar a agregar valor aos seus recursos naturais, afirma Maria Netto, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS).
Para a executiva, o país deve superar a visão de curto prazo predominante no mercado para gerar empregos e renda de forma sustentável por meio da criação de oportunidades locais. Esse processo exige o investimento em tecnologia nacional, infraestrutura e qualificação profissional voltada para a economia verde e digital.
Como impulsionar as novas cadeias produtivas?
Segundo Netto, o desafio vai além de ampliar o fluxo de recursos; é necessário criar condições para que novas cadeias produtivas ganhem escala. Isso depende de transformações sistêmicas que ocorram via articulação entre diferentes atores, e não apenas por meio de projetos isolados.
A diretora aponta a falta de mecanismos de compartilhamento de riscos, de instrumentos de participação acionária e de um ambiente regulatório com mais estímulos como barreiras atuais. Além disso, a instabilidade internacional reforça a urgência de o Brasil ampliar a produção de fertilizantes e bioinsumos.
O Nordeste é citado como uma região com condições favoráveis para impulsionar indústrias verdes, devido à combinação de energia limpa e competitiva com o setor produtivo. A ideia seria utilizar fontes renováveis para produzir amônia e outros tipos de combustíveis, criando indústrias verdes no local.
Quais os gargalos de infraestrutura e crédito?
A atração de novas indústrias enfrenta obstáculos logísticos. Embora a geração eólica e solar tenha crescido, a infraestrutura de transmissão e distribuição de energia ainda não acompanha o ritmo necessário para abastecer novos polos industriais, afirma a executiva do iCS.
Outro ponto crítico é o financiamento. De acordo com Netto, o mercado financeiro é focado em curto prazo, o que gera uma escassez de crédito de longo prazo para projetos que possuem tempos de retorno (paybacks) mais extensos, como os voltados ao uso da terra e recuperação do solo.
Para destravar investimentos em setores como o hidrogênio verde e o combustível sustentável de aviação (SAF), é necessário adotar mecanismos de mitigação de riscos e atuar desde as etapas iniciais do desenvolvimento tecnológico. A gestão de risco e o apoio a startups de tecnologia são vistos como fundamentais para alavancar esses recursos.
