Títulos públicos atrelados à inflação sobem 4,09% após primeiro turno das eleições
Papéis com vencimento longo registraram valorização superior a três meses de CDI em um único dia de negociações.
Por Redação Diário Local
Títulos públicos atrelados à inflação com vencimento mais longo subiram 4,09% nesta segunda-feira (5), segundo o índice IMA-B 5+, da Anbima. A valorização ocorrida em um único dia equivale a mais de três meses de rendimento do CDI.
O movimento de alta acompanhou o cenário após o primeiro turno da eleição presidencial, impulsionado pela expectativa de medidas de controle de gastos em um eventual novo governo. Processos de queda nos juros valorizam os papéis já emitidos, pois eles passam a pagar taxas superiores às das novas emissões.
De acordo com Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, os títulos de longo prazo reagem de forma mais expressiva por concentrarem parte do prêmio cobrado pelo risco de crescimento da dívida pública. No Tesouro Direto, os títulos prefixados apresentaram a maior queda de taxas em um único dia desde 2008, com o índice IRF-M 1+ avançando 3,60%.
O que aconteceu com outros títulos?
Os títulos atrelados à inflação com prazos de até cinco anos subiram 0,99%. Já o Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, teve rendimento de 0,05% no mesmo período.
As debêntures incentivadas, que são títulos de dívida de empresas de infraestrutura isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, também registraram alta. O índice da Anbima para esses ativos avançou 2,58% na segunda-feira (5), acumulando uma alta de 7,07% no ano.
A gestora Sparta apontou que a valorização das debêntures de infraestrutura corrigidas pelo IPCA superou as atreladas ao CDI, que ganharam 0,09% na segunda-feira (5). A gestora afirmou que a alta recente do prêmio pode criar oportunidades, mas mantém cautela devido aos possíveis resgates nos próximos meses.
Quais as recomendações dos especialistas?
Para quem busca segurança, Guilherme Almeida, da Suno Research, indica o Tesouro Selic como opção para aguardar o desfecho eleitoral, com a taxa Selic em 13,75%.
Ricardo Farias, gestor da Fator Administração de Recursos, recomenda que novos investidores em títulos prefixados aguardem a estabilização dos preços após a euforia atual. Já Letícia Albuquerque, da Tivio Capital, demonstra preferência por títulos IPCA+ de prazo intermediário, com média de sete anos.
O segundo turno das eleições está agendado para o dia 25 de outubro. Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, os preços atuais já refletem projeções para um governo Flávio Bolsonaro, e uma eventual vitória de Lula pode alterar o movimento do mercado.
