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Inovação

CEO da Rain defende marco regulatório próprio para mercados preditivos no Brasil

Roy Shaham afirma que contratos de previsão se assemelham a ativos financeiros e pedem regras distintas das apostas esportivas.

Por Redação Diário Local

O CEO da Rain Protocol, Roy Shaham, defendeu a criação de um marco regulatório específico para o setor de mercados preditivos no Brasil. Em entrevista, o executivo afirmou que os contratos de previsão são mais próximos da negociação de ativos financeiros do que de apostas esportivas.

Os mercados preditivos são plataformas onde usuários negociam contratos vinculados à ocorrência ou não de eventos futuros. Os preços desses contratos refletem a probabilidade atribuída pelo mercado a um resultado, abrangendo temas como economia, clima, eleições e esportes.

Para Shaham, os reguladores brasileiros devem equilibrar a proteção ao consumidor com o estímulo à inovação. Ele defende que o caminho ideal seja a construção de um marco regulatório próprio, desenvolvido em conjunto com operadores e provedores de infraestrutura, para evitar o enquadramento em categorias já existentes.

O executivo ressaltou que, diferentemente das apostas, os mercados preditivos funcionam como uma infraestrutura de informação financeira. O objetivo, segundo ele, é ajudar a precificar incertezas e transferir riscos em diversas áreas da economia, indo além do entretenimento.

Tecnologia e resolução de disputas

A Rain utiliza inteligência artificial (IA) para auxiliar na resolução de disputas de mercado. O sistema utiliza múltiplos modelos de linguagem (LLM) que pesquisam evidências públicas na internet para chegar a um consenso sobre a resolução correta dos contratos.

Apesar do uso da tecnologia, o executivo afirmou que a revisão humana continua sendo essencial em casos ambíguos ou contestados. O processo automatizado resolve a grande maioria dos mercados, mas o julgamento humano é mantido para situações complexas.

Transparência e riscos de mercado

Sobre o risco de uso de informações privilegiadas, Shaham destacou que a transparência do blockchain torna a atividade mais exposta do que em plataformas tradicionais. Como cada negociação fica visível na rede, é possível identificar padrões suspeitos e levantar preocupações de forma pública.

Quanto à volatilidade e à manipulação de preços em mercados com baixa liquidez, o CEO explicou que o mercado tende a se corrigir pela oferta e demanda. Para ele, quando o preço se afasta do valor justo, surgem oportunidades para que outros participantes negociem contra a distorção.

Sobre a atuação no Brasil, a Rain esclareceu que opera como uma infraestrutura global acessível de diversas jurisdições, sem ter o país como alvo específico. O executivo pontuou, no entanto, que as recentes fiscalizações no Brasil demonstram a existência de uma forte demanda por esses serviços.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.