Desvantagem tarifária brasileira frente aos EUA salta para 7,5 pontos percentuais
Diferença entre taxa paga pelo Brasil e por concorrentes preocupa indústria e pode reduzir exportações em até US$ 3,6 bilhões
Por Redação Diário Local
A desvantagem tarifária de produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos saltou de 0,8 para 7,5 pontos percentuais. O cálculo, realizado pelo economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, mostra que o Brasil ocupa agora a segunda posição no ranking de países com o pior acesso ao mercado americano, atrás apenas da China.
A diferença ocorre após a aplicação de novas taxas pelos Estados Unidos. No final do mês passado, entraram em vigor tarifas de 25% exclusivas para produtos brasileiros, baseadas em investigações sobre práticas comerciais. Além disso, alíquotas entre 10% e 12,5% foram aplicadas a diversos países, incluindo o Brasil, por questões ligadas a importações de bens com trabalho forçado.
Essas medidas substituíram as tarifas globais de 10% que haviam expirado. Na prática, a tarifa média efetiva brasileira subiu de 10,3% para 16,6%, enquanto a taxa média de outros países concorrentes caiu para 9,1%.
Por que a competitividade brasileira caiu?
De acordo com Sergio Vale, a existência de uma tarifa exclusiva de 25% sobre o Brasil impede que o país usufrua das isenções que beneficiaram a maioria das nações na troca das regras tarifárias. Essa disparidade cria um incentivo para que o comprador americano escolha fornecedores de outros países em vez de brasileiros.
A gerente de política comercial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Constanza Negri Biasutti, afirma que a posição do Brasil se deteriorou de forma acentuada. Segundo a especialista, o cenário é crítico para a indústria, pois a tarifa efetiva, que considera o volume de comércio, penaliza o país frente aos competidores.
O impacto financeiro também é uma preocupação central. Com base em experiências anteriores de sobretaxas, o economista estima que as exportações para os EUA podem sofrer uma queda entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano.
Quais setores são os mais afetados?
O advogado e ex-secretário de comércio exterior, Welber Barral, identifica que exportadores de commodities industriais, como produtos químicos, são fortemente atingidos devido às margens reduzidas. Setores com alta concorrência, como móveis, calçados, têxteis e confecções, também enfrentam riscos aumentados pela competição com países asiáticos.
A capacidade de resposta das empresas varia conforme o tipo de produto. Produtos pesados e padronizados, como madeira, açúcar, sebo e pedras, podem ser redirecionados para outros mercados com mais facilidade. Já produtos manufaturados de maior valor, como máquinas, correm riscos maiores no médio prazo por dependerem de contratos longos e processos de homologação.
Além disso, há o fator do tamanho das empresas. A pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, Lia Valls, destaca que pequenas e médias empresas são as mais prejudicadas, pois possuem custos mais elevados para diversificar seus destinos de exportação em comparação às grandes multinacionais.
