Diário Local
Criptomoedas

Avanço da computação quântica ameaça a segurança das criptomoedas e redes de blockchain

Tecnologia pode quebrar a criptografia atual de carteiras digitais; especialistas alertam que o prazo para vulnerabilidade pode ser menor que o esperado

Por Diário Local

O setor de criptomoedas começa a se preparar para o avanço da computação quântica, tecnologia que pode ser capaz de quebrar a criptografia que protege transações e carteiras digitais. Computadores quânticos conseguem resolver problemas matemáticos complexos com velocidade muito superior à dos aparelhos atuais, o que permitiria decifrar os métodos de proteção de informações digitais utilizados hoje.

O risco atinge o mercado global de ativos digitais, avaliado em US$ 2 trilhões, que depende de blockchains protegidas por criptografia tradicional. Embora a tecnologia quântica ainda seja considerada experimental, o setor de criptomoedas demonstra crescente preocupação desde março, após pesquisas indicarem que a capacidade de quebra de criptografia pode surgir antes do previsto.

Por que a computação quântica é um risco para as criptomoedas?

A maioria das blockchains utiliza criptografia de curva elíptica para gerar chaves públicas e privadas, que são usadas para verificar a propriedade de ativos e autorizar transações. Um computador quântico potente poderia, em teoria, derivar uma chave privada a partir de uma chave pública, permitindo que hackers falsifiquem assinaturas digitais e realizem transações fraudulentas.

Esse cenário é considerado particularmente grave para as redes de criptomoedas, pois as transações nessas plataformas são irreversíveis. Além disso, a transparência e a permanência das blockchains tornam o setor exposto de maneira única a esse tipo de ataque cibernético.

O Bitcoin é citado como um dos ativos mais vulneráveis devido aos seus 17 anos de histórico, que geraram um grande volume de chaves públicas visíveis. Um documento de trabalho de junho de 2026, elaborado pelo pesquisador Ahmed Raza Muhammad Umer, indica que aproximadamente 35% da oferta circulante do token poderia estar exposta, enquanto outra pesquisa anterior estimou que esse número poderia chegar a 50%.

O que está sendo feito para proteger as redes?

Algumas empresas e desenvolvedores já trabalham em planos para atualizar as redes com a chamada criptografia "pós-quântica", que é resistente à tecnologia quântica. No entanto, esse processo pode levar anos e exigir mudanças radicais na infraestrutura que sustenta os ativos digitais.

A transição apresenta desafios de engenharia, pois as assinaturas digitais pós-quânticas costumam ser maiores do que as tradicionais, o que aumenta os requisitos de armazenamento e largura de banda. Isso pode elevar custos e impactar a experiência do usuário em redes com limites fixos de tamanho de bloco, como o Bitcoin.

A Fundação Ethereum tem como meta o ano de 2029 para garantir a proteção total contra a computação quântica. Já a Fundação Algorand afirmou que planeja começar a oferecer suporte a contas pós-quânticas ainda este ano, seguindo um roteiro de atualização já publicado.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.