Mecanismos de defesa contra aço chinês são lentos na América Latina, afirma especialista
Processos de defesa comercial na América Latina levam cerca de 400 dias, enquanto no Canadá o tempo é de 250 dias, diz economista.
Por Redação Diário Local
Os mecanismos de defesa comercial utilizados pela América Latina são lentos para conter o avanço das importações de aço da China, que recebe subsídios para sua produção, afirmou o economista Germano de Paula nesta terça-feira (29). O especialista defendeu que as medidas de proteção precisam ser mais ágeis e abrangentes para evitar prejuízos ao setor siderúrgico regional.
As declarações foram feitas durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Para o professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a morosidade nos processos prejudica a resposta ao mercado externo. "Não adianta combater o incêndio depois que a casa já está toda incendiada", declarou Paula.
De acordo com o levantamento do economista, os processos de defesa comercial na América Latina levam cerca de 400 dias para serem concluídos. Em comparação, o mesmo procedimento no Canadá ocorre em 250 dias, evidenciando a disparidade na velocidade de resposta das autoridades.
A disparidade é acentuada pelo nível de apoio estatal dado pela China. Segundo o economista, um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aponta que o volume de subsídios por tonelada de aço no país asiático é 10 vezes maior do que no restante do mundo.
Germano de Paula também apresentou dados de uma pesquisa própria realizada há cerca de dois anos sobre o tema. O estudo analisou as 20 maiores siderúrgicas chinesas listadas em bolsa, identificando padrões de apoio governamental direto ou indireto.
O levantamento constatou que todas as empresas selecionadas recebiam subsídios de forma recorrente nos anos em que houve disponibilidade de dados para análise. O cenário reforça a tese de que a produção chinesa opera com custos artificialmente reduzidos frente aos competidores globais.
O Congresso Aço Brasil 2026, onde o tema foi debatido, está em sua 36ª edição. O evento reúne os principais representantes da indústria siderúrgica, especialistas e lideranças do cenário econômico para discutir o desenvolvimento do setor no país.
A programação do encontro, realizada em São Paulo, tem como foco central o debate sobre as perspectivas do setor e sua relevância para a economia brasileira. O debate sobre a competitividade e a proteção comercial frente ao mercado asiático é um dos pontos centrais das discussões deste ano.
