Estatais federais acumulam déficit de R$ 6,5 bilhões até agosto, o maior desde 2002
Rombo das empresas públicas da União é o maior registrado desde 2002, segundo dados do Banco Central; agosto teve superávit.
Por Redação Diário Local
As estatais federais acumularam um déficit primário de R$ 6,5 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30). O montante é o maior registrado para o setor desde 2002, conforme a série histórica da instituição.
No mesmo período de 2025, o déficit acumulado pelas empresas públicas da União foi de R$ 5,569 bilhões. Já o saldo referente aos últimos 12 meses é de R$ 6,085 bilhões, o que representa 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB).
Apesar do cenário acumulado, o mês de agosto registrou um superávit de R$ 1,759 bilhão, impulsionado pela melhora nas receitas auferidas no período. Em agosto de 2025, o resultado havia sido um déficit de R$ 44 milhões.
Como é feito o cálculo do déficit?
O resultado primário é calculado pelo saldo entre as despesas e as receitas das companhias. A estatística utilizada pelo Banco Central foca em empresas estatais não financeiras que são independentes do Tesouro Nacional, o que exclui a Petrobras do cálculo, uma vez que estas companhias não dependem de recursos da União para operar.
Um aumento nesse déficit pode indicar dificuldades de caixa nas companhias, gerando o risco de necessidade de socorro pelo Tesouro. Entretanto, o Ministério da Gestão pontuou que o déficit não é o único indicador de saúde financeira, pois pode ser reflexo de investimentos realizados para buscar crescimento futuro.
Para o Ministério, o parâmetro mais adequado seria o resultado contábil (lucro ou prejuízo) do período, seguindo o modelo das empresas privadas.
Situação dos Correios
O governo reconheceu problemas financeiros em algumas estatais, citando o caso dos Correios. A empresa tem registrado prejuízos expressivos: em 2025, o rombo foi de R$ 8,5 bilhões, com expectativa de aumento para 2026. Até junho deste ano, o prejuízo acumulado da estatal somava R$ 5,5 bilhões.
Para tentar reverter o quadro, um plano de reestruturação para os Correios já está em execução.
