Diário Local
Economia

Empresários do Brasil e dos EUA defendem ampliação de comércio para evitar tarifas

Associações de empresários pedem diálogo sobre data centers e minerais para evitar possível taxação de produtos brasileiros pelos EUA

Por Davy Albuquerque

Associações que representam empresários brasileiros e americanos enviaram uma carta pública às autoridades dos dois países defendendo a ampliação do comércio bilateral. O documento foca em áreas como data centers, automóveis e minerais críticos, buscando evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

A carta foi enviada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce. O movimento ocorre em um momento de negociações sobre o possível aumento de taxas sobre itens brasileiros, com prazo de definição para 15 de julho.

De acordo com estimativas da CNI, a aplicação do aumento tarifário pode atingir cerca de 4,2 mil produtos brasileiros, o que representa um valor de US$ 15 bilhões. Os empresários sugerem que a solução deve vir por meio de negociações e cooperação em vez da imposição de taxas.

O que os empresários propõem?

Entre os pontos defendidos pelas entidades estão o aumento do acesso a mercados de segurança energética e data centers, além de uma maior cooperação regulatória nos setores automotivo e farmacêutico. O documento também menciona o apoio a uma moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) para transmissões eletrônicas e a aceleração do exame de patentes.

A cooperação em minerais críticos também é um dos temas destacados. As entidades argumentam que o avanço por meio de entendimentos concretos pode gerar resultados mais duradouros e evitar efeitos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Impactos no comércio bilateral

O presidente da AmCham, Abrão Neto, afirmou que a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para as duas economias e afetaria a competitividade das exportações brasileiras. Ele apontou que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o nível mais baixo já registrado.

No mesmo período, as importações brasileiras vindas dos Estados Unidos recuaram 11%. Segundo Neto, tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a influência econômica americana em um mercado emergente relevante, abrindo espaço para concorrentes estrangeiros.

O Ministério das Relações Exteriores informou que continua empenhado no diálogo com as autoridades norte-americanas, processo que já dura um ano. O governo também identificou 43 empresas e associações americanas que se manifestaram contra a taxação, alegando que a falta de substitutos para esses produtos no mercado dos EUA elevaria os custos para a indústria e para o consumidor americano.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.