Minério de ferro sobe com greve na BHP e aumento dos custos de frete
Preços avançam com paralisação de operações da BHP em Port Hedland e tensões no Estreito de Ormuz elevando o transporte.
Por Davy Albuquerque
Os contratos futuros de minério de ferro registraram alta nesta terça-feira, impulsionados pela confirmação de uma greve nas operações da mineradora BHP em Port Hedland e pelo aumento nos custos de frete marítimo. O cenário também é sustentado pela forte demanda das siderúrgicas chinesas para a reposição de estoques.
Na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, o contrato de minério de ferro para setembro encerrou o pregão diurno com alta de 1,81%. O valor atingiu 760,5 iuanes (US$ 112,17) por tonelada, o maior patamar desde 17 de junho.
Em Cingapura, a referência de minério de ferro para agosto subiu 1,25%, chegando a US$ 99,7 por tonelada. Esse valor representa o nível mais alto alcançado desde o dia 2 de julho.
Por que os preços subiram?
A escalada de tensões no Estreito de Ormuz elevou os custos de transporte e de insumos de maneira generalizada. O aumento no custo logístico encareceu o deslocamento do minério de ferro via marítima, impactando o mercado.
Além da questão logística, a BHP confirmou que centenas de trabalhadores em suas operações em Port Hedland devem entrar em greve nesta quinta-feira. A paralisação ocorre após representantes eleitos e a companhia não chegarem a um acordo, conforme informou o Sindicato Combinado dos Portos da BHP.
Mercados trabalham com a expectativa de que a greve reduza os embarques em até dois milhões de toneladas. Embora o volume não altere os fundamentos do mercado, o fator estimula o otimismo dos investidores quanto à oferta.
Demanda na China sustenta o mercado
A procura chinesa por reposição de materiais também sustenta os preços. Dados da alfândega da China, divulgados nesta terça-feira, mostram que as importações de minério de ferro subiram 15% em junho em comparação ao mês anterior.
O volume importado atingiu 112,69 milhões de toneladas, a máxima de seis meses. Analistas da ANZ Research apontaram que o crescimento nos embarques vindos da Austrália e do Brasil acompanhou essa necessidade de recomposição de estoques das siderúrgicas chinesas.
