El Niño traz oportunidades para 3tentos e Renner, aponta relatório da XP Investimentos
Relatório da XP Investimentos identifica empresas que podem se beneficiar ou perder com os impactos do fenômeno climático nos setores de agro, varejo e energia.
Por Redação Diário Local
O fenômeno climático El Niño deve criar tanto oportunidades quanto riscos para empresas de diferentes setores da economia brasileira, de acordo com relatório da XP Investimentos. A instituição avalia que os impactos variarão conforme a exposição geográfica e a atividade de companhias nos setores de agronegócio, energia, varejo, transportes e financeiro.
Entre as empresas com potencial de valorização, a XP destaca a 3tentos (TTEN3). A companhia possui forte presença no Rio Grande do Sul, estado que costuma registrar índices de chuvas acima da média durante eventos de El Niño. Para os analistas, esse cenário favorece a produtividade agrícola, a originação de grãos e as margens de esmagamento.
No setor sucroenergético, há projeção de valorização para São Martinho (SMTO3) e Jalles Machado (JALL3). O movimento ocorreria caso problemas climáticos reduzam a produção de açúcar na Índia e na Tailândia, o que sustentaria os preços internacionais da commodity, embora os analistas ressaltem que este não é o cenário-base.
Quais empresas podem ser beneficiadas?
No segmento de energia elétrica, a Auren Energia (AURE3) é apontada como a principal beneficiária. A expectativa é de maior geração hidrelétrica e queda nos preços da energia no mercado de curto prazo, o que favoreceria a posição da empresa.
O varejo também apresenta cenários positivos para Lojas Renner (LREN3), Guararapes (GUAR3) e C&A (CEAB3). A análise indica que um inverno mais ameno pode reduzir a necessidade de liquidações de roupas de inverno e facilitar a transição para coleções de primavera e verão. Já o Assaí (ASAI3) pode ser beneficiado pelo repasse da inflação de alimentos aos preços das lojas.
No setor de saúde, as redes de farmácias Raia Drogasil (RADL3) e Pague Menos (PNVL3) aparecem como potenciais beneficiárias. O aumento de temperaturas e chuvas pode elevar a demanda por vacinas, testes e repelentes, melhorando o mix de vendas.
Quais são os maiores riscos?
As companhias SLC Agrícola (SLCE3) e BrasilAgro (AGRO3) foram identificadas como expostas a impactos negativos. Ambas possuem operações relevantes no Norte do país e no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), regiões suscetíveis à redução de chuvas e perda de produtividade durante o fenômeno.
Na área de energia, a Axia (AXIA3) é considerada a empresa com maior exposição aos riscos. Segundo a XP, cerca de 19% do balanço de energia da companhia para 2026 permanece descontratado, tornando os resultados sensíveis à queda de preços no mercado de curto prazo.
No setor financeiro, o Banco do Brasil (BBAS3) é apontado como o principal exposto devido à elevada participação de crédito rural em sua carteira, especialmente para produtores de soja, milho e pecuária. Eventuais perdas de produtividade podem atrasar a recuperação da qualidade dos ativos do banco.
Já nos transportes, a Rumo (RAIL3) e a Hidrovias do Brasil (HBSA3) figuram entre as mais vulneráveis. A redução do nível dos rios pode dificultar a navegação e o escoamento da safra. Embora a Rumo possa se beneficiar no curto prazo da menor competitividade das hidrovias, a XP avalia que o saldo líquido para a companhia é negativo.
