Eleições impactam dólar e bolsa com oscilações baseadas em apostas sobre o rumo da economia
Mercado financeiro reage a pesquisas e propostas de candidatos com variações no Ibovespa, no dólar e nas taxas de juros.
Por Redação Diário Local
As eleições presidenciais provocam oscilações no dólar, na bolsa de valores e nas taxas de juros conforme o mercado financeiro tenta antecipar os rumos da economia e das contas públicas no próximo governo. As movimentações refletem as apostas sobre variáveis como crescimento, inflação e, sobretudo, a trajetória fiscal do país.
O resultado do primeiro turno, ocorrido no domingo (4), já gerou impactos imediatos nos indicadores financeiros. Na segunda-feira (5), após a apuração mostrar Flávio Bolsonaro (PL) com 47,03% dos votos válidos e Lula (PT) com 45,16%, o dólar caiu mais de 4%.
Com a queda, a moeda americana foi cotada a R$ 5, o menor patamar registrado desde maio. Simultaneamente, a bolsa brasileira (Ibovespa) registrou uma alta de 7,70%, fechando no recorde de 206.912 pontos após a divulgação dos dados.
Segundo o chefe de investimentos do ASA, Rogerio Freitas, os preços no mercado refletem expectativas sobre o cenário econômico. Ele explica que a eleição deixa variáveis como inflação e juros em aberto, e cada nova pesquisa ou declaração altera as probabilidades de cada cenário.
Por que as eleições mexem com o mercado?
O mercado financeiro costuma sofrer grandes oscilações em períodos eleitorais porque tenta antecipar os efeitos das propostas de cada candidato. Dados históricos indicam que o Ibovespa, o dólar e os juros futuros reagem com intensidade a notícias políticas e incertezas sobre as contas públicas.
Os efeitos aparecem de formas distintas em cada ativo. A bolsa reage às expectativas de desempenho das empresas, enquanto o dólar responde à percepção de risco e ao movimento de entrada e saída de recursos estrangeiros no Brasil.
Um exemplo de movimentação recente ocorreu com o anúncio de reajuste do Bolsa Família pelo governo Lula, 17 dias antes das eleições. Na ocasião, o real se desvalorizou perante o dólar e a bolsa caiu para 185 mil pontos devido ao receio sobre o impacto do gasto nas contas públicas.
As pesquisas eleitorais também têm peso direto nas cotações. Em 10 de setembro, um levantamento que mostrava Flávio Bolsonaro à frente de Lula em um eventual segundo turno coincidiu com a queda de 0,18% do dólar (R$ 5,1026) e alta de 1,42% do Ibovespa (188.268 pontos).
Isso ocorre porque uma eventual vitória de Flávio é vista pelo mercado como uma possibilidade mais favorável ao equilíbrio fiscal. Essa expectativa tende a reduzir as taxas de juros projetadas para os próximos anos e aumentar o interesse por investimentos no país.
A volatilidade, no entanto, nem sempre é causada apenas pela política. O banker da StoneX, Alvaro Maia, pondera que outros fatores, como o fluxo de capital estrangeiro e o preço das commodities, podem ser mais decisivos para o mercado do que escândalos políticos.
Maia cita o caso do Mensalão, em 2006, como exemplo de período em que a política teve influência limitada nos mercados. Na época, a disponibilidade de recursos no exterior e os preços baixos das ações brasileiras mantiveram a política em segundo plano.
Como investir em momentos de volatilidade?
Para atravessar períodos de incerteza com mais segurança, especialistas recomendam recorrer à renda fixa. Alvaro Maia destaca que, com os juros em dois dígitos, opções como títulos públicos prefixados e fundos de renda fixa tornam-se especialmente atrativas.
Para quem investe em ações, a orientação é evitar montar carteiras baseadas em apostas sobre o resultado das urnas. O analista Rogerio Freitas sugere manter estratégias de longo prazo e evitar agir por impulso diante de variações conjunturais.
A diversificação, inclusive com ativos no exterior, é apontada como uma forma de reduzir riscos. Além disso, manter uma reserva de fácil acesso é fundamental para que o investidor não precise vender seus ativos em momentos de queda brusca do mercado.
Por fim, a gestão da carteira deve respeitar o perfil de cada investidor. Perfis conservadores devem concentrar recursos em investimentos menos voláteis, enquanto investidores que aceitam mais risco podem manter uma fatia maior em ativos como ações.
