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Empresas americanas pedem que EUA não apliquem tarifas sobre produtos do Brasil

Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay enviaram cartas ao governo americano alertando para prejuízos na cadeia de suprimentos e custos para consumidores.

Por Diário Local

Grandes empresas dos Estados Unidos enviaram documentos ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) solicitando a isenção de produtos importados do Brasil de novas tarifas adicionais. Gigantes como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay alertam que a imposição de barreiras comerciais pode prejudicar a competitividade, as cadeias de suprimentos e aumentar os custos para os consumidores americanos.

A mobilização ocorre em paralelo ao início das audiências públicas sobre o chamado "tarifaço" proposto pelo governo norte-americano. O USTR, órgão responsável pela política comercial dos EUA, investiga a aplicação de uma taxa de 12,5% e de outra de 25% sobre itens brasileiros, sob o argumento de que o governo do Brasil adota práticas que restringem o comércio com os norte-americanos.

O cenário comercial ocorre em um momento de tensão diplomática entre os dois países. Documentos do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) indicam que o governo brasileiro vê riscos de medidas mais severas após os Estados Unidos classificarem facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas internacionais.

Recentemente, o Departamento do Tesouro americano congelou bens de dois brasileiros e de quatro empresas por supostas ligações com o crime organizado. Apesar do clima político conturbado, as corporações americanas argumentam que punir comercialmente os insumos vindos do Brasil trará prejuízos econômicos imediatos para o mercado interno dos EUA.

O que defendem as empresas

A Tesla, fabricante de veículos elétricos, pediu a isenção de insumos industriais essenciais para a produção de baterias e robótica. A montadora afirma que, embora invista para nacionalizar sua cadeia de suprimentos nas Américas, a transição demanda tempo e o mercado interno americano ainda não possui a escala e a qualidade necessárias para suprir esses componentes.

A Nestlé solicitou a inclusão do café instantâneo não aromatizado e do colágeno bovino na lista de isentos. A empresa pontua que o café em grão não pode ser cultivado em escala comercial nos Estados Unidos continentais e que o Brasil é o principal exportador de colágeno bovino, atendendo a uma demanda de saúde que a cadeia americana não supre.

A Coca-Cola pediu a manutenção da isenção para o suco de laranja brasileiro e a inclusão de limões e derivados. A companhia destacou que a produção de laranja na Flórida despencou de 242 milhões de caixas (safra 2003/04) para uma estimativa de 12 milhões na safra 2025/26, tornando o fornecimento brasileiro vital para o consumo doméstico.

O eBay recomendou uma isenção para produtos de segunda mão, usados e seminovos. A plataforma argumenta que a tarifa penalizaria o revendedor e o consumidor de baixa renda, além de apontar a inviabilidade técnica de conferir a origem exata de itens usados, o que geraria custos burocráticos desproporcionais para a alfândega e pequenos negócios.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.