Ministro da Fazenda rejeita tese de crise econômica ao citar problemas específicos do varejo
Dario Durigan afirmou que dificuldades de empresas como as Casas Bahia não indicam colapso do país e defendeu o aperto do arcabouço fiscal.
Por Redação Diário Local
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os problemas enfrentados por empresas do setor varejista, como as Casas Bahia, não são indícios de uma crise generalizada na economia brasileira. Em declarações feitas nesta sexta-feira (21), Durigan reconheceu que os juros elevados pressionam o segmento, mas defendeu que o cenário atual não justifica uma narrativa política de crise nacional.
Segundo o ministro, o caso das Casas Bahia é um problema específico da empresa, que já havia passado por uma recuperação extrajudicial sem conseguir superar as dívidas. Durigan explicou que o varejo é especialmente dependente de crédito, tanto para o relacionamento com fornecedores quanto para o consumo das famílias, e por isso sente o impacto das taxas de juros de forma mais intensa.
Apesar da pressão sobre o setor, o ministro destacou que uma análise de série histórica mostra uma redução no número de falências e recuperações judiciais no país. Segundo o levantamento citado por Durigan, o varejo apresenta índices de insolvência menores do que outros setores, como a indústria.
Como o governo pretende controlar as despesas?
Para colaborar com a política monetária e auxiliar na redução dos juros, o ministro defendeu o fortalecimento do arcabouço fiscal. A estratégia envolve a continuidade de medidas de contenção de gastos e a busca por maior eficiência na gestão pública, visando um ajuste estimado em cerca de 2% do PIB.
Durigan afirmou que o governo pretende focar na redução de despesas obrigatórias e no aumento da arrecadação. Entre as frentes de trabalho, estão a revisão de benefícios tributários, a redução de privilégios, como aposentadorias de servidores e militares, e a limitação de gastos com novas contratações de pessoal.
O ministro mencionou que, para o próximo ano, haverá um limite de 0,6% para o incremento de despesas com pessoal. Essa disciplina deve forçar o Estado a investir mais em sistemas e produtividade para compensar o peso da máquina pública e liberar recursos para investimentos e para a capacidade de investimento privado.
Próximos passos e o orçamento
O governo deve apresentar, na próxima semana, os detalhes de uma medida que pretende aliviar a pressão sobre as despesas obrigatórias em R$ 10 bilhões ou mais. Além disso, a trajetória fiscal deve ganhar clareza com a entrega do Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) ao Congresso Nacional.
Questionado sobre a possibilidade de desvincular benefícios previdenciários e sociais do salário mínimo, Durigan esclareceu que a medida não está sendo discutida. O foco permanece na manutenção de uma regra fiscal que garanta que a despesa pública cresça menos do que a receita, visando evitar o cenário de desequilíbrio da década anterior.
