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Economia

Flávio Bolsonaro aponta risco de sobretaxa de 55% da China sobre exportação de carne brasileira

Senador afirma que governo é responsável pelo risco de novas tarifas sobre embarques que ultrapassarem a cota anual de carne bovina.

Por Diário Local

O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o governo é responsável por um novo risco às exportações de carne bovina brasileira. Segundo o parlamentar, o país pode sofrer uma sobretaxa de 55% da China sobre os embarques que ultrapassarem a cota anual de importação.

De acordo com o senador, somada à tarifa de 12% que já é cobrada dentro da cota, a taxação pode atingir 67% sobre o volume excedente. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta sexta-feira (10), Flávio Bolsonaro questionou o governo sobre a responsabilidade pelas tarifas chinesas.

Por que a cota de carne para a China está acabando?

A cota de toneladas é utilizada pela China para proteger sua produção interna. Segundo levantamento da consultoria StoneX, publicado na segunda-feira (6), o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota chinesa de importação de carne bovina até junho, de um total de 1,106 milhão de toneladas permitidas no ano.

Entre janeiro e junho, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, um volume 16% maior que o registrado no mesmo período de 2025. Esse avanço foi impulsionado pela antecipação de remessas pelos exportadores, que buscaram garantir espaço dentro do limite anual antes do esgotamento.

A necessidade de antecipar os embarques ocorreu porque o processo de internalização da carne na China leva entre 45 e 60 dias. Com a proximidade do fim da cota, a StoneX projeta uma queda significativa nas exportações brasileiras para o mercado chinês ao longo do terceiro trimestre.

Qual o impacto para o mercado brasileiro?

A redução temporária dos embarques para a China deve impactar a oferta doméstica no Brasil. Com a diminuição do volume destinado ao mercado externo, parte da produção tende a ser redirecionada para o mercado interno ou para outros países compradores.

A consultoria StoneX esclarece que o esgotamento da cota não é resultado de falha de negociação do governo, mas sim de uma dinâmica de mercado. A antecipação das vendas pelos produtores visava assegurar o cumprimento do limite anual de importação da China.

Apesar do ajuste esperado nos próximos meses, a perspectiva de retomada das compras chinesas a partir da nova cota mantém o país como o principal destino da demanda de carne bovina brasileira, segundo a análise da empresa.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.