Tecnologia e logística de entregas 'just in time' evitam disparada de preços do petróleo
Uso de inovações digitais, monitoramento por satélite e gestão de estoques estratégicos ajudou a conter a subida do barril durante conflito com o Irã
Por Diário Local
O uso de sistemas de entrega "just in time", apoiados por inovações digitais e tecnologia de satélite, ajudou a evitar que os preços da energia subissem nos níveis temidos durante o conflito com o Irã. A eficiência logística, comparada ao modelo de grandes empresas de comércio eletrônico, reduziu a necessidade de manutenção de grandes estoques físicos de petróleo.
Mesmo com a interrupção do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã e novas trocas de ataques militares, o petróleo de referência nos Estados Unidos subiu cerca de 5%, atingindo US$ 74 por barril. O valor permanece abaixo do pico de US$ 112 registrado em meados de maio.
A capacidade de monitoramento atual permite que operadores identifiquem a localização de navios-tanque no oceano, a propriedade da carga e o conteúdo transportado em tempo real. Essa dinâmica diminuiu a correlação entre o nível dos estoques físicos e os preços do barril, permitindo a aquisição de cargas que já estão em trânsito marítimo.
Como a logística e as reservas ajudaram o mercado?
Além da tecnologia, a decisão do governo dos Estados Unidos de suspender temporariamente a aplicação da Lei Jones contribuiu para a movimentação de combustíveis. A norma exigia que navios que transportassem cargas entre portos americanos fossem construídos, registrados e operados no país, o que limitava a oferta de embarcações.
Com a suspensão, houve um aumento no transporte de combustível da costa do Golfo dos EUA através do Canal do Panamá até a Califórnia, visando aliviar a escassez em refinarias da região. Esse movimento ajudou a manter o fluxo de suprimentos de forma mais ágil.
Outro fator determinante foi o comportamento da China. O país elevou seus estoques estrategicamente e reduziu drasticamente suas importações após o início da guerra. Antes do conflito, a China importava mais de 11,5 milhões de barris por dia; em junho, o volume caiu para menos de 7 milhões, reduzindo a demanda global em quase 5 milhões de barris diários.
Qual a situação dos estoques nos Estados Unidos?
A Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos está em seu menor nível desde 1983, guardando atualmente pouco mais de 300 milhões de barris de petróleo bruto. Em 3 de julho, o volume era de 319 milhões de barris, enquanto no início da guerra a reserva era de 415 milhões.
O governo americano já autorizou a liberação de 172 milhões de barris ao longo de diversos meses. Analistas avaliam que a recomposição dessas reservas pode ser adiada para o próximo ano, dado o interesse em manter os preços dos combustíveis sob controle durante o período eleitoral.
