Apenas cinco fundos multimercado superaram o CDI no primeiro semestre de 2026
Levantamento mostra que apenas cinco fundos de estratégia macro entregaram ganhos acima do CDI entre janeiro e junho de 2026.
Por Davy Albuquerque
Apenas cinco fundos multimercado de estratégia macro conseguiram entregar retornos acima do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) no primeiro semestre de 2026. O levantamento, baseado em dados da Economatica, analisou uma amostra de 70 fundos e constatou que a maioria dos gestores enfrentou dificuldades devido às mudanças nos cenários nacional e internacional entre janeiro e junho.
Entre as exceções que superaram o referencial da categoria, há fundos com resultados que chegam a 450% do CDI. Em comum, as estratégias que apresentaram ganhos acima da média mantêm posições expressivas no mercado externo, especialmente em ações de empresas de tecnologia nos Estados Unidos.
O fundo Adam Macro, da Adam Capital, é um dos destaques do período. A gestora mantém uma postura otimista com a economia americana e com o avanço da inteligência artificial (IA), investindo em ações de tecnologia e na valorização do dólar, que deve subir diante de outras moedas. A estratégia também inclui apostas na queda da bolsa brasileira e do euro, além de uma possível alta das taxas de juros no mercado local.
Estratégias de destaque no semestre
O Clave Alpha, da BTG Asset, também figura entre os veículos que superaram o benchmark. O fundo está posicionado em ações brasileiras dos setores elétrico e bancário, além de apostar na queda dos juros de menor prazo no Brasil. No final de junho, o fundo encerrou posições em empresas de memória no exterior e aumentou a exposição em Nvidia, buscando também ganhos com a valorização do peso chileno, do rand da África do Sul, do iene e do won sul-coreano.
Já o fundo Verde, de Luís Stuhlberger, conseguiu se manter acima do referencial de desempenho. Apesar de registrar perdas com ações brasileiras em junho, a gestora aumentou os investimentos na Bolsa por meio de opções e manteve posições em renda variável global. O fundo segue aplicado em juro real nos Estados Unidos, ouro, prata e crédito no Brasil.
O Parcitas Hedge, da Parcitas Investimentos, apresentou ganho de 10,44% até junho, o que equivale a 152,49% do CDI. No acumulado de 12 meses, o desempenho chega a 27,72%, representando 187,56% do CDI. Segundo a gestora, o resultado é fruto de uma carteira diversificada que busca ganhos em juros e no setor de tecnologia.
A carteira da Parcitas tem um terço do capital alocado em empresas de tecnologia americanas (hyperscalers), com foco em inteligência artificial. Outros 20% estão no setor elétrico brasileiro e há ainda uma posição na seguradora americana Chub. A gestora utiliza a alocação internacional para modular o risco político e econômico do Brasil.
As commodities também ajudaram na performance, especialmente nos setores de petróleo e gás. A gestora utilizou a Petrobras como ativo de proteção e dividendos, além de manter posições em derivativos de materiais como urânio, alumínio e cobre, que possuem ligação com a cadeia produtiva da inteligência artificial.
