Gabrielli defende conselho monetário, mas nega apoio à redução de juros de Lara Resende
Coordenador do programa de governo de Lula defende criação de conselho fiscal e monetário, mas descarta convergência da taxa Selic
Por Redação Diário Local
O economista José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta terça-feira (3) ser favorável à criação de um conselho fiscal e monetário. A proposta, de autoria de André Lara Resende, busca o reequilíbrio das contas públicas sem depender da manutenção de juros elevados.
A ideia de instituir o órgão consiste em definir parâmetros para a taxa básica de juros. Segundo a proposta de Lara Resende, a taxa deveria apresentar uma queda gradual, saindo dos atuais 13,75% para 7,5% ao ano em um período de 12 meses.
Apesar de endossar a criação do conselho em artigo publicado nesta segunda-feira (2), Gabrielli negou defender a redução acelerada proposta por Lara Resende. O ex-presidente da Petrobras esclareceu que seu apoio é voltado a um conselho ampliado que coordene as políticas fiscal e monetária, e não ao tabelamento ou à convergência da taxa.
"Não estou endossando essa proposta. No meu artigo, eu estou endossando a proposta de criação de um conselho monetário e não estou endossando o tabelamento ou a convergência da taxa de juros", declarou Gabrielli. Ele reforçou que o foco é a coordenação entre as esferas fiscal e monetária.
O coordenador também fez elogios ao histórico de André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Para Gabrielli, a trajetória de convergência dos juros, defendida por Lara Resende, pode ser tratada como uma "decisão futura".
Sobre o debate político, o ex-presidente da Petrobras informou que ainda não houve conversas com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) a respeito do tema específico do conselho ou da redução dos juros.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, de 61 anos, afirmou que a proposta de Lara Resende nunca foi discutida pela legenda. Segundo o deputado federal eleito por São Paulo, o tema não faz parte das pautas atuais do partido.
Edinho Silva reiterou que não há planos para debater o assunto no momento. Ele declarou que a proposta de redução de juros não foi discutida nem pelo presidente Lula, e que não existe uma agenda construída para esse fim dentro do PT.
