Ibovespa bate recorde e dólar tem maior queda desde 2018 após primeiro turno das eleições
Mercado financeiro reage ao resultado do primeiro turno com alta de 7% na bolsa e queda expressiva do dólar.
Por Redação Diário Local
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, registrou recorde ao superar os 206 mil pontos na primeira sessão após a apuração do primeiro turno das eleições. Ao mesmo tempo, o dólar apresentou sua maior queda desde 2018, recuando mais de 4% e sendo cotado a R$ 5.
A reação do mercado financeiro ocorreu após o resultado do pleito colocar o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio obteve 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%, com uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos.
O movimento dos investidores reflete a percepção de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro teria um compromisso maior com o equilíbrio das contas públicas. Essa expectativa pode reduzir as projeções de taxas de juros para os próximos anos, estimulando a busca por investimentos no país.
Quais são os riscos para o humor do mercado?
Apesar da euforia inicial, economistas demonstram cautela sobre a perspectiva fiscal. Especialistas ouvidos apontam que o ânimo dos investidores pode mudar rapidamente caso o candidato não apresente, de forma imediata, medidas factíveis para equilibrar as contas do Estado.
O economista André Galhardo, da Análise Econômica, questiona a durabilidade desse otimismo e ressalta que, se eleito, Flávio precisará de propostas concretas que sejam politicamente viáveis e não coloquem em risco a estabilidade econômica. Para ele, o cenário pode se deteriorar se não houver disposição para enfrentar ajustes em despesas constitucionais.
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central (BC), também manifestou ceticismo. Ele destaca que o histórico de Flávio sobre o tema fiscal é inexistente e que a agenda de ajuste é difícil e impopular, exigindo alto capital político para tratar de temas como Previdência e programas sociais.
O desafio das contas públicas
O equilíbrio fiscal é apontado como o principal desafio econômico para o próximo governo. O problema central reside no resultado primário — a diferença entre receitas e despesas — e no impacto sobre a dívida pública, que segue em trajetória de alta.
Em agosto deste ano, o endividamento do setor público (que engloba governo federal, estados, municípios e Previdência) atingiu R$ 11,05 trilhões. Esse valor equivale a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo a maior marca registrada desde abril de 2021.
Para o ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, o novo presidente terá pouco tempo para estabilizar as contas. Ele alerta que, se as medidas de reforma não forem explicitadas rapidamente após a vitória, pode ocorrer um "anticlímax", provocando a alta do dólar, aumento dos juros futuros e restrição de crédito pelos bancos.
