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Economia

Iene ultrapassa marca de 160 por dólar e pressiona autoridades do Japão

Desvalorização da moeda japonesa ganha força com a alta do dólar e aumenta expectativas de novas ações de defesa cambial.

Por Redação Diário Local

O iene voltou a se desvalorizar e ultrapassou o patamar de 160 ienes por dólar nesta sexta-feira (28). A queda da moeda japonesa ampliou uma sequência de perdas que já eliminou mais da metade dos ganhos obtidos após as recentes intervenções cambiais das autoridades.

A moeda japonesa chegou a cair 0,5%, atingindo 160,16 por dólar. O movimento ocorre após a divisa americana ganhar força diante de sinalizações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que a inflação nos Estados Unidos deve ser levada de volta à meta do banco central americano.

Com a cotação atingindo o nível de 160, investidores acompanham de perto o mercado em busca de sinais de novas ações para defender a moeda. A pressão sobre o iene persiste desde o início deste mês, quando a divisa não conseguiu se fortalecer acima de 155 por dólar.

Contexto das intervenções cambiais

A atual desvalorização ocorre mesmo após a ação conjunta realizada em 31 de julho, quando Estados Unidos e Japão promoveram uma intervenção coordenada para comprar ienes — a primeira nesse formato desde 1998. Naquela ocasião, autoridades japonesas gastaram 15,4 trilhões de ienes em menos de um mês para tentar conter a desvalorização da moeda.

Antes dessa intervenção de julho, o iene operava próximo de 164 por dólar, o nível mais fraco em quase quatro décadas. Em 2024, as autoridades japonesas também intervieram no mercado quando a marca de 160 por dólar foi ultrapassada.

Especialistas indicam que o efeito das intervenções tem sido temporário diante da trajetória dos juros globais. O par dólar/iene recuperou apenas cerca de metade da queda provocada pela intervenção recorde de julho, o que indica espaço para novas altas antes que o mercado atinja níveis considerados desconfortáveis pelas autoridades do Japão.

Próximos passos e juros

O Banco do Japão (BoJ) deve se reunir no próximo mês para decidir sobre as taxas de juros. Existe uma probabilidade de cerca de 80% atribuída pelo mercado para uma elevação da taxa de juros no país.

Apesar da possível alta, a diferença em relação aos juros dos Estados Unidos permanece ampla, especialmente com a expectativa de novos aumentos promovidos pelo Federal Reserve. O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi é apontado como favorável a uma alta de juros no curto prazo devido à fraqueza do iene.

Além do cenário de juros, outros fatores contribuem para a pressão cambial, como a elevada dívida pública japonesa e os efeitos da recente alta nos preços do petróleo sobre a economia global. Investidores também retomam operações de carry trade, estratégia que utiliza os baixos juros japoneses para financiar aplicações em países com retornos mais elevados.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.