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Estudo

Estudo revela que orgulho de ser brasileiro é mais ligado à cultura do que a governos

Levantamento da plataforma Cosmo analisou mais de 600 mil publicações e mostra que o sentimento nacional se baseia na cultura e solidariedade.

Por Redação Diário Local

O orgulho de ser brasileiro está cada vez mais dissociado da aprovação de governos e instituições, aponta levantamento inédito da plataforma Cosmo. A análise de 638.363 publicações digitais realizadas entre 2019 e 2025 indica que o sentimento de pertencimento nacional se apoia na cultura, no modo de ser do povo e em conquistas coletivas, e não no aparato estatal.

O estudo, intitulado "Orgulhos do Brasil — Um mapa das manifestações espontâneas do orgulho nacional", revelou que o sentimento cívico tem se desvinculado da figura de lideranças políticas. O levantamento mostra que o aparato institucional, que engloba os órgãos que organizam a nação, representa menos de 4% das menções positivas nas redes sociais.

Em contrapartida, quase 75% das manifestações espontâneas analisadas celebram a identidade brasileira. Segundo os dados, o que motiva o cidadão é o modo de ser, os valores do povo e o sentimento de pertencimento à terra e à cultura do país.

A pesquisa também identificou que a posição eleitoral individual ou de familiares passou a integrar o espectro da identidade nacional. Mudanças de posicionamento político de pessoas próximas ou votações de parentes foram mapeadas como elementos que geram desde admiração até ruídos nas relações afetivas.

Como o sentimento é medido?

Diferente das sondagens tradicionais, que utilizam questionários pré-definidos, a metodologia da Cosmo utilizou inteligência artificial e curadoria humana. O objetivo foi interpretar narrativas que emergem organicamente em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Reddit, Bluesky, YouTube e portais de notícias.

O mestre em Sistemas de Informação e jornalista Rafael Kenski, cocriador da plataforma, explicou que o método funciona de forma inversa às pesquisas comuns. Em vez de formular perguntas para buscar evidências, a equipe observou o que surgia de forma espontânea nas centenas de milhares de manifestações digitais.

A psicanalista e pesquisadora Camila Holpert, também cocriadora da plataforma, destaca que o brasileiro tende a celebrar mais quem ele é e o que realiza do que as instituições. Para ela, em 74,5% das publicações, o orgulho está associado à identidade e às realizações coletivas do país.

O papel da união em momentos de crise

A capacidade de mobilização social em momentos de dificuldade foi um dos pilares fundamentais identificados no estudo. A união da sociedade em situações críticas apareceu como um fator de fortalecimento do vínculo nacional.

Durante períodos de grande impacto, como a pandemia e as enchentes no Rio Grande do Sul, a solidariedade comunitária ganhou destaque. As redes de ajuda e o engajamento em causas locais superaram, em número de citações, os tradicionais cartões-postais e pontos turísticos do Brasil.

O levantamento demonstra que a conexão cívica é fortalecida pelo território e pela ajuda mútua. A percepção de nação parece ser construída no cotidiano dos bairros e das regiões, com foco nos vínculos reais mantidos com as comunidades locais.

O estudo conclui que o sentimento de nação ganha força no cotidiano e nas relações de proximidade. Dessa forma, o orgulho nacional se consolida nos laços comunitários e na cultura, distanciando-se do foco em estruturas de governo ou figuras de poder.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.