Ações do Grupo Casas Bahia acumulam queda de 99% em cinco anos após pedido de recuperação judicial
Grupo anunciou pedido de recuperação judicial e busca renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas para garantir operações.
Por Redação Diário Local
As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) acumulam uma desvalorização de 99,86% desde o seu pico histórico em 2020, quando os papéis eram negociados a cerca de R$ 489,08. A queda ocorre em meio ao anúncio do pedido de recuperação judicial feito pela companhia na noite de domingo (16).
No último pregão antes do comunicado, na quinta-feira (14), os papéis fecharam a R$ 0,66. Já na manhã desta segunda-feira (17), as ações eram negociadas a R$ 0,46, uma queda de 30% em relação ao fechamento anterior.
O que é o pedido de recuperação judicial?
O pedido de recuperação judicial, protocolado no Foro Central Cível de São Paulo, abrange o Grupo Casas Bahia e outras nove empresas do grupo. O objetivo é reorganizar as finanças e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas para garantir a continuidade das operações.
A medida ainda precisa passar por ratificação dos acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária. Com a cotação abaixo de R$ 1, os papéis passaram a integrar o grupo de ativos conhecidos no mercado como “penny stocks”.
Desde o primeiro pedido de recuperação extrajudicial, realizado em abril de 2024, quando as ações valiam R$ 7,30, os títulos acumulam uma perda de 87,9%.
Quais as causas da crise financeira?
Na petição enviada à Justiça, a Casas Bahia atribuiu a crise a uma combinação de fatores, como o aumento dos investimentos em tecnologia e logística para o comércio eletrônico e o impacto da pandemia sobre as lojas físicas. A empresa também apontou a forte alta dos juros ocorrida a partir de 2021.
Outros pontos que pesaram no resultado foram o custo crescente das dívidas, a queda no consumo das famílias e o aumento da inadimplência. Segundo a companhia, os juros elevados afetaram seu modelo de negócios, que depende de financiamento para manter estoques e oferecer crédito aos clientes.
A desvalorização das ações acompanhou a deterioração dos resultados financeiros e um cenário econômico mais difícil para o varejo.
Mudanças na gestão e resultados recentes
No domingo (16), o grupo também divulgou um prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. Desse montante, R$ 9,1 bilhões referem-se a ajustes contábeis sem impacto imediato no caixa.
Apesar do prejuízo, a empresa registrou crescimento de 1,6% na receita líquida, chegando a R$ 6,98 bilhões, e um avanço de 15,3% nas vendas on-line, que atingiram R$ 2,8 bilhões.
A estrutura de gestão também sofreu alterações: Sírley Lima assumiu a vice-presidência Jurídica e Tributária, no lugar de Fábio Spina, e os conselheiros Jackson Schneider e Rogério Calderón deixaram o Conselho de Administração.
