Mineração no Brasil soma US$ 8,2 bilhões em fusões e aquisições desde 2025
Movimento é impulsionado pela disputa global por minerais críticos e pela revisão de portfólio de grandes mineradoras, aponta Alvarez & Marsal
Por Redação Diário Local
As transações de fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no Brasil somaram US$ 8,2 bilhões desde janeiro de 2025. O movimento foi impulsionado pela disputa global por minerais críticos e pela revisão de portfólio de grandes mineradoras, segundo levantamento da Alvarez & Marsal (A&M).
A consultoria identificou 13 transações com valores divulgados entre janeiro de 2025 e nesta sexta-feira (2), além de mais de uma dezena de operações menores ou sem cifras públicas. Somente em 2026, os anúncios de negócios atingiram US$ 5,9 bilhões, volume 2,6 vezes superior aos US$ 2,3 bilhões registrados em todo o ano anterior.
Das 13 operações listadas, oito, que totalizam US$ 4,6 bilhões, já foram concluídas. Outras cinco transações, avaliadas em US$ 3,6 bilhões, ainda dependem de fechamento ou de aprovações regulatórias.
O peso das terras raras nos negócios
O grupo de elementos conhecidos como terras raras concentra grande parte do capital movimentado. Duas transações específicas representam 42% de todo o valor levantado pela A&M: a compra da Serra Verde pela empresa americana USA Rare Earth e o acordo da australiana Lynas para adquirir a Meteoric Resources.
Em setembro, a USA Rare Earth concluiu a aquisição da Serra Verde, proprietária da mina Pela Ema, em Minaçu (GO), em uma operação estimada pela consultoria em US$ 2,8 bilhões. Já a Lynas anunciou, no fim de setembro, o acordo para comprar a Meteoric, controladora do projeto Caldeira, em Minas Gerais, por aproximadamente US$ 672 milhões.
A movimentação também envolve outros minerais, como o níquel, essencial para a cadeia de baterias. A empresa MMG fechou um acordo para comprar ativos de níquel da Anglo American em Goiás e no Pará por até US$ 500 milhões, transação que aguarda análise regulatória na União Europeia.
Redução de portfólio e capital chinês
A tendência de grandes grupos de mineradoras venderem ativos para reduzir portfólios também explica o cenário. Empresas como Anglo American, BHP, Equinox Gold, AngloGold Ashanti, Mosaic, South32 e Votorantim venderam ou colocaram ativos brasileiros à venda.
No campo dos compradores, as companhias chinesas ganharam espaço e respondem por cerca de 30% do valor anunciado no período, considerando operações de empresas como CMOC, Chalco e MMG. Desde 2025, cinco ativos em operação no Brasil foram comprados ou estão em processo de aquisição por grupos chineses.
Entre as outras grandes operações registradas pela consultoria estão a venda da participação de 64,7% da Votorantim na Nexa Resources para a sueca Boliden, avaliada em US$ 1,31 bilhão; a venda de ativos de ouro da Equinox Gold para a chinesa CMOC, por até US$ 1,015 bilhão; e a operação que dará à Chalco e à Rio Tinto o controle da CBA, avaliada em US$ 903 milhões.
Cenário regulatório e futuro do setor
A nova estrutura brasileira para minerais críticos, que acrescenta uma camada de análise sobre operações estratégicas, não alterou o ritmo de negócios. Segundo a consultoria, as mudanças regulatórias podem ter gerado insegurança e atrasado alguns processos, mas não impediram as aquisições.
A tendência apontada é de que o novo conselho de minerais críticos atue como uma etapa de validação para grandes projetos estratégicos, de forma semelhante ao que ocorre com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Para o futuro próximo, a A&M observa espaço para continuidade do movimento de fusões e aquisições. Estão no radar vendas conjuntas do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, buscadas por cerca de US$ 5 bilhões, além de processos envolvendo a BAMIN e uma participação na LHG Mining.
