Diário Local
Mineração

Brasil disputa posição global em minerais críticos e busca reduzir dependência de exportação de matéria-prima

Reservas de terras raras posicionam o país no tabuleiro geopolítico e testam a capacidade de gerar tecnologia interna.

Por Redação Diário Local

O Brasil ocupa uma posição de destaque no cenário geopolítico mundial devido às suas reservas de minerais críticos, como as terras raras, essenciais para o avanço de tecnologias de transição energética e digital. O país detém quantidades de recursos que são comparáveis às de potências como China e Estados Unidos, o que oferece uma oportunidade de soberania sobre materiais estratégicos.

A corrida por esses minerais envolve o fornecimento de componentes para placas solares, turbinas eólicas, veículos elétricos e centros de dados de inteligência artificial. O desafio nacional consiste em ir além da simples exportação de matéria-prima para evitar uma dependência histórica de commodities que não se converte em desenvolvimento tecnológico.

Por que os minerais são considerados estratégicos?

O termo 'mineral crítico' refere-se àqueles de que o país necessita para seu funcionamento, enquanto o 'estratégico' designa aqueles cujas reservas o país detém. Um mineral torna-se crítico quando sua aplicação passa a ser indispensável para novas tecnologias.

O Brasil já demonstra esse domínio no caso do nióbio, onde detém quase a totalidade da produção mundial, o que cria uma espécie de reserva de mercado. O objetivo agora é aplicar esse potencial em áreas de beneficiamento para gerar maior valor agregado.

Para que isso ocorra, especialistas sugerem que a política de minerais deve dialogar com a legislação atual, que historicamente foca na exportação de bens primários. A criação de instrumentos como a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o Conselho Nacional para Industrialização busca endereçar esse cenário.

Quais são os riscos de dependência de commodities?

Existe o risco de o Brasil repetir o padrão de países que possuem grandes reservas de minerais essenciais, mas não conseguem converter essa riqueza em índices de desenvolvimento humano. Um exemplo citado é a República Democrática do Congo, que detém cerca de 60% da exploração mundial de cobalto, mas enfrenta conflitos e baixos índices sociais.

Para mitigar esse risco, é necessário investimento, tanto público quanto privado, na geração de tecnologia nacional. A proteção da propriedade intelectual e a criação de um ecossistema de políticas públicas são vistas como caminhos para que o investimento não seja apenas pontual, mas parte de um planejamento de Estado.

Modelos de sucesso, como o da Coreia do Sul na indústria de telas ou a trajetória da China com as terras raras, mostram que o planejamento de longo prazo é o que permite a entrada em mercados de alto valor agregado.

Como funcionam os impactos ambientais e o monitoramento?

A extração de terras raras e lítio apresenta desafios geológicos e ambientais específicos. Diferente do ferro, essas substâncias concentram-se em rochas ígneas ou metamórficas com distribuição espacial variável, exigindo pesquisas detalhadas para reduzir os riscos de investimento.

Os impactos ambientais podem envolver a geração de acidez por sulfetos nos rejeitos ou a presença de elementos radioativos, como tório e urânio. Além disso, há a tensão entre a necessidade de atrair capital estrangeiro e a proteção de territórios quilombolas, indígenas e ribeirinhos.

Para monitorar esses riscos, o Brasil trabalha na criação do Centro Internacional de Terras Raras (Citar), em Poços de Caldas. O projeto é uma iniciativa conjunta do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a participação de instituições como o IFES Sul de Minas Gerais e a Unifenas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.