Minha Casa, Minha Vida responde por mais da metade das vendas de novos imóveis no Brasil
Programa responde por mais de 50% dos novos imóveis no país; juros altos reduzem vendas de médio e alto padrão
Por Redação Diário Local
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já responde por mais da metade dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos em todo o Brasil. O movimento evidencia a concentração de demanda no setor popular em razão das condições de crédito e do cenário econômico para outros segmentos do mercado imobiliário.
Em São Paulo, a participação do programa é ainda mais expressiva, representando dois terços de todos os negócios realizados. O avanço do MCMV na capital paulista também é reforçado por mudanças na lei de zoneamento, que permitiram prédios maiores em áreas próximas a linhas de transporte público, como ônibus, trem e metrô.
Por que o Minha Casa, Minha Vida cresce tanto?
A maior adesão aos produtos do programa é explicada pelas taxas de juros reduzidas. No MCMV, o financiamento para a compra das moradias varia entre 4,5% e 8,16% ao ano, utilizando subsídios do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em comparação, no restante do mercado, o crédito para aquisição de imóveis custa entre 12% e 14% ao ano.
Além das taxas, o governo federal ampliou o teto de preços e as faixas de renda, incluindo a chamada faixa 4, que alcança imóveis de até R$ 600 mil e pessoas com renda mensal de até R$ 13 mil. Somado a isso, diversos estados e prefeituras passaram a oferecer subsídios extras para complementar o pagamento da entrada, como ocorre em São Paulo, com valores entre R$ 10 mil e R$ 16 mil.
O programa também atende ao público com maior concentração de déficit habitacional, especialmente famílias com renda de até R$ 5 mil que buscam a primeira moradia.
Impacto no mercado de médio e alto padrão
O ganho de participação do MCMV ocorre simultaneamente ao encolhimento de outros setores. O mercado de médio e médio-alto padrão, com imóveis entre R$ 600 mil e R$ 2,25 milhões, tem perdido espaço devido aos juros altos e ao preço elevado dos imóveis, o que dificulta o acesso da classe média.
Essa realidade tem motivado diversas incorporadoras a direcionar seus empreendimentos para o segmento popular. Empresas como Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa já atuam no setor. A empresa REM, por exemplo, anunciou o lançamento de seu primeiro empreendimento econômico na zona oeste de São Paulo para este mês de setembro.
A companhia também planeja lançar um condomínio de 2,5 mil apartamentos no bairro do Jaguaré em até dois anos. Outra empresa, a ADN, que atua no interior de São Paulo, prepara seu primeiro lançamento na capital paulista para 2027, na região da Água Branca.
Situação do estoque de imóveis
Apesar do aumento de lançamentos, o estoque de imóveis no programa ainda é considerado baixo em comparação ao ritmo de vendas. Em São Paulo, o estoque do MCMV é de 52,8 mil unidades, o que representa cerca de 8 meses de vendas no ritmo atual.
No Brasil, o estoque total do programa é de 137,1 mil unidades, uma alta de 23% em um ano. No entanto, esse volume equivale a aproximadamente 7,6 meses de vendas, um patamar inferior ao período de crise de 2014, quando o estoque cobria entre 15 e 20 meses de vendas.
