Diário Local
Trabalho

Escala 6x1 prejudica saúde mental de 67% dos trabalhadores brasileiros, aponta estudo

Levantamento do Instituto Locomotiva revela que 67% dos que trabalham nesse regime relatam piora na saúde mental e 62% na saúde física

Por Redação Diário Local

A escala de trabalho 6x1 prejudicou a saúde mental de 67% dos brasileiros que atuam nesse regime, segundo levantamento do Instituto Locomotiva. O estudo aponta que o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso também impactou o bem-estar físico e a qualidade de vida da maioria dos entrevistados.

De acordo com a pesquisa, 62% dos trabalhadores afirmaram ter percebido uma piora na saúde física, enquanto 63% relataram que o formato comprometeu suas vidas de modo geral. Além disso, para 51% dos participantes, a rotina atual traz efeitos negativos para os relacionamentos interpessoais.

O levantamento revela um forte apoio à redução da jornada de trabalho, com a proposta de migrar das 44 horas semanais na escala 6x1 para 40 horas na escala 5x2. Ao todo, 63% dos brasileiros são favoráveis à mudança, ao passo que apenas 5% se posicionam totalmente contra a medida.

Por que há apoio à redução da jornada?

Entre os motivos para apoiar o novo modelo, 66% dos entrevistados afirmam que o trabalhador merece ter mais tempo para si e para a família. Outros 53% destacam que o dia único de folga é insuficiente para quem precisa dividir o tempo com os cuidados domésticos e a atenção aos filhos.

A percepção sobre o avanço tecnológico também fundamenta o debate. Embora 74% concordem que a tecnologia aumentou a produtividade, 70% acreditam que o trabalhador deveria trabalhar menos, uma vez que esse ganho de eficiência tem beneficiado apenas o lucro das empresas.

O presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, afirma que o descanso e a convivência familiar passaram a pesar na forma como o país avalia uma rotina digna. Para ele, a escala 6x1 colocou o tempo no centro das discussões sobre trabalho, emprego e renda.

Quais os receios sobre a mudança?

Apesar do apoio majoritário, o levantamento identifica preocupações com o impacto econômico. Para 69% dos respondentes, os preços podem subir caso os empresários repassem os novos custos trabalhistas para a população, visão compartilhada por 48% que temem o repasse direto ao consumidor.

Outros argumentos contra a redução incluem a visão de que o país não cresce sem muito trabalho, defendida por 48% dos ouvidos. Além disso, 35% dos participantes consideram que a mudança de escala poderia prejudicar os empresários.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Locomotiva entre 2 e 8 de junho, por meio de entrevistas digitais com 1.030 brasileiros. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais, com amostra ponderada por gênero, idade, escolaridade e classe social.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.