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Biodiversidade

Espécies de moluscos não nativos no Brasil crescem 215% em 15 anos, diz estudo

Primeiro inventário nacional aponta que 82 espécies de moluscos exóticos foram detectadas no país, com 20 tipos considerados invasores.

Por Davy Albuquerque

O número de espécies de moluscos não nativas registradas no Brasil cresceu 215% nos últimos 15 anos. Atualmente, o país possui 82 espécies catalogadas, um salto significativo em relação aos 26 exemplares identificados no levantamento anterior.

A informação é fruto do primeiro inventário nacional sobre esses organismos, produzido por pesquisadores brasileiros. Do total de espécies listadas, 20 são classificadas como invasoras, o que representa um risco para a biodiversidade, para a economia e para a saúde pública.

O estudo também identificou 13 espécies de origem não determinada, conhecidas tecnicamente como criptogênicas. A incerteza sobre a procedência desses animais ocorre devido à escassez de dados consistentes ou à existência de registros muito antigos.

Quais são os riscos das espécies invasoras?

Entre as espécies não nativas catalogadas, destacam-se o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) e o caramujo-africano (Lissachatina fulica). Ambos apresentam impactos distintos e severos nos ecossistemas e na infraestrutura brasileira.

O mexilhão-dourado, por exemplo, pode causar o entupimento de tubulações e a perda de eficiência em usinas hidrelétricas nas regiões onde se espalha. Já o caramujo-africano pode atuar como uma praga agrícola importante.

Além dos impactos econômicos, o caramujo-africano é um risco sanitário, pois pode servir como hospedeiro de parasitas causadores de meningite, uma doença grave. A classificação do impacto desses animais seguiu as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Como foi realizado o levantamento?

A compilação dos dados para o inventário foi liderada pelo pesquisador Fabrizio Marcondes Machado, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com cientistas de outras instituições. Os resultados foram divulgados na revista Biological Invasions em abril.

O pesquisador Marcel Sabino Miranda, um dos autores do estudo, observou que o país enfrenta uma taxa acelerada na introdução desses moluscos. Segundo ele, ainda existem lacunas importantes no conhecimento sobre o comportamento ecológico dessas espécies no território nacional.

Para os cientistas, o aumento no número de espécies não nativas reforça a necessidade de medidas urgentes de monitoramento. O objetivo é permitir a detecção rápida de novos casos para garantir a manutenção da biossegurança no Brasil.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.