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Americanas

PF investiga se Itaú e Santander auxiliaram Americanas em esquema de fraude financeira

Investigação aponta que instituições teriam omitido operações de risco sacado para ocultar dívidas bilionárias da varejista

Por Diário Local

A Polícia Federal (PF) investiga se os bancos Itaú e Santander participaram de um esquema para ocultar a real situação financeira da Americanas. Segundo as apurações, as instituições teriam colaborado para manter o mecanismo que mascarou dívidas bilionárias da varejista, prejudicando acionistas, credores e outras instituições financeiras.

A investigação concentra-se nas operações de risco sacado. Nesse modelo, o banco antecipa o pagamento a um fornecedor e passa a ser credor da varejista. Embora essas operações devessem ser registradas como passivo financeiro (dívida com banco) nos balanços da companhia, elas eram registradas como dívidas com fornecedores.

De acordo com a PF, a omissão permitia que o endividamento da Americanas parecesse menor do que o real, criando uma falsa impressão de saúde financeira no mercado e possibilitando a captação de novos financiamentos.

Como funcionava o esquema de ocultação?

A Polícia Federal aponta que as instituições teriam consciência do esquema. Um ponto central seria a emissão da chamada "carta de circularização", documento disponibilizado à auditoria da empresa. Segundo os investigadores, os bancos omitiam as operações de risco sacado nesses documentos para evitar que a auditoria identificasse a contradição entre o que era declarado e o que constava nos balanços.

A continuidade dessas operações em volumes crescentes teria sido fundamental para a manutenção da fraude. Sem a renovação constante dessas linhas de crédito, a expansão do endividamento da varejista poderia ter sido interrompida muito antes do colapso financeiro.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, ao autorizar a segunda fase da Operação Disclosure, afirmou haver indícios de que os bancos podem ter atuado de forma coordenada para ocultar as operações realizadas pela varejista. No final de junho, buscas e apreensões foram realizadas em endereços de executivos das instituições investigadas.

O que dizem os bancos envolvidos?

O Itaú Unibanco afirmou, em nota, que não é objeto da investigação e que colabora com as autoridades desde 2023. O banco declarou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que apresentou documentação à Justiça que comprova a regularidade de sua conduta. A instituição afirmou ainda que recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar as cartas de circularização.

O Santander declarou que está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e que segue colaborando com as autoridades competentes. Em comunicado, a instituição reforçou seu compromisso com a ética e a transparência em suas operações.

O Bradesco também se manifestou, informando que acompanha o caso e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.