Real sofre queda de 10% no mercado futuro após reeleição de Lula em segundo turno
Moeda brasileira registrou queda expressiva no mercado futuro de Chicago nesta segunda-feira (26) após o resultado das eleições.
Por Redação Diário Local
A moeda brasileira registrou uma queda de cerca de 10% no mercado futuro de Chicago na madrugada desta segunda-feira (26). O movimento ocorreu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em segundo turno, resultado que contrariou as expectativas do mercado financeiro, que projetava uma maior probabilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.
Às 3h38 (horário de Brasília) desta segunda-feira (26), o contrato com vencimento em novembro apresentava baixa de 10,09%. Com isso, o dólar implícito para o dia foi levado ao patamar de R$ 5,56. Já o contrato para dezembro registrou queda de 9,79%.
O resultado das urnas mostrou Lula com 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% de Flávio Bolsonaro. De acordo com analistas do setor, o desfecho entregou a maior surpresa do pleito, uma vez que o mercado não estava posicionado para este cenário.
Para os especialistas, a abertura do mercado deve ser marcada por um ajuste severo de preços. A expectativa é de forte volatilidade, com pressão de queda na bolsa de valores e abertura das curvas de juros nos próximos dias.
A depreciação do real também deve persistir até que o novo governo reforce o compromisso com a responsabilidade fiscal. O movimento sinaliza uma mudança importante na percepção de risco em relação ao cenário econômico brasileiro.
Em relação ao longo prazo, projeções indicam que o câmbio deve passar por períodos de oscilação. Uma estimativa aponta que o dólar pode encontrar um patamar sustentado em torno de R$ 5,40 em 2027.
O cenário de vitória de Bolsonaro, que era o preferido pelos investidores, previa que uma vantagem maior do candidato fortaleceria os ativos brasileiros. Com a inversão deste quadro, o mercado agora busca novos fundamentos para o posicionamento de capital.
O impacto das eleições reflete diretamente na confiança dos agentes econômicos sobre a condução das contas públicas. A estabilidade do real dependerá, nas próximas semanas, das primeiras sinalizações sobre a política fiscal da nova gestão.
