Ano eleitoral e aumento de gastos elevam risco econômico no Brasil, diz consultoria
Relatório aponta que pautas-bomba e ampliação de gastos podem fragilizar regras fiscais e retrair investimentos
Por Diário Local
A combinação entre pautas de alto impacto e a ampliação de gastos com foco no período eleitoral deve aumentar as pressões sobre as contas públicas e enfraquecer as regras fiscais do Brasil. A análise faz parte do relatório Risco Brasil, publicado pela consultoria política Arko Advice.
De acordo com a consultoria, a insegurança em relação à questão fiscal pode afetar o ambiente econômico, uma vez que a incerteza faz com que o empresariado adie investimentos para observar o desdobramento dos cenários políticos.
Entre as medidas que estão em tramitação e que possuem custo bilionário, destaca-se a proposta de elevação do Simples Nacional. Segundo cálculos da equipe econômica, apenas o aumento do limite para pequenas empresas custaria mais de R$ 40 bilhões aos cofres públicos. O Planalto manifestou oposição à medida.
Quais são os riscos para o orçamento?
O relatório da Arko Advice aponta a probabilidade de uma perda de credibilidade caso ocorra a aprovação de matérias que prejudiquem o orçamento. Esse processo incluiria a derrubada de vetos presidenciais que tratam de aumentos em despesas, gerando o que a consultoria chama de 'ruído fiscal'.
Essa deterioração gradual do orçamento poderia resultar em uma queda menor nos juros. Além disso, o cenário institucional e fiscal pode atingir a atividade econômica, o que, segundo a análise, pode gerar maior impopularidade para o governo quando o impacto for sentido na prática.
O consultor político e CEO da Arko Advice, Murillo de Aragão, observou que há pouco espaço para debates sobre reformas fiscais no atual contexto, descrevendo o momento como uma disputa de populismo entre o governo e o Congresso.
Existe possibilidade de contenção de gastos?
Apesar do cenário de risco, a Arko Advice também apresenta a possibilidade de uma contenção de gastos. Nesse cenário, o Congresso limitaria o avanço de pautas que pressionam o orçamento e preservaria partes dos vetos do presidente Lula em propostas que envolvem despesas.
Caso essa contenção ocorra, as regras fiscais seriam preservadas, ainda que com desgastes. O resultado seria um ambiente econômico mais previsível e a possibilidade de um ciclo gradual de cortes de juros pelo Banco Central.
