Risco-país da Argentina atinge nível mais alto em um ano e gera dúvidas no mercado
Indicador do JPMorgan chegou a tocar 710 pontos-base nesta terça-feira (20) em meio a incertezas políticas e de mercado.
Por Redação Diário Local
O risco-país da Argentina atingiu nesta terça-feira (20) os níveis mais altos em aproximadamente um ano. O indicador EMBI+, calculado pelo JPMorgan, chegou a tocar 710 pontos-base durante o pregão, encerrando o dia próximo de 672 pontos, patamar que se aproxima das máximas registradas em outubro de 2025.
A alta no indicador reflete uma crescente aversão dos investidores e reacende dúvidas sobre a capacidade de sustentação da recuperação dos ativos locais. O movimento ocorre em um contexto de preocupação com a liquidez do mercado, um cenário externo mais complexo e incertezas sobre o panorama político para as eleições presidenciais de 2027.
O que dizem os fundamentos econômicos?
Apesar da deterioração no sentimento do mercado, o Itaú BBA pontuou, em relatório divulgado nesta terça-feira (20), que a ampliação dos spreads soberanos não reflete necessariamente uma piora nos fundamentos macroeconômicos do país. Segundo o banco, o risco-país argentino está equivalente a 3,4 vezes a média da América Latina, o maior prêmio relativo em 12 meses.
O relatório destaca que o governo de Javier Milei acumulou um superávit primário de 0,3% do PIB nos nove primeiros meses do ano. Além disso, o país registrou um superávit comercial de US$ 26,5 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro e apresentou sinais de estabilização na inadimplência entre famílias.
Por outro lado, dados recentes trouxeram cautela, como o aumento dos preços no atacado em setembro, influenciado pela alta do petróleo e do gás natural. Indicadores de atividade também mostraram enfraquecimento na construção civil e na indústria, enquanto a confiança no governo recuou para níveis baixos em relação aos últimos três anos.
Perspectivas para os ativos argentinos
Os investidores mantêm preocupação com a continuidade da agenda econômica após 2027, especialmente no que diz respeito à disciplina fiscal, abertura comercial e desregulamentação. Também há dúvidas sobre a reconstrução das reservas cambiais e o acesso aos mercados internacionais em um cenário global menos favorável.
Contudo, estrategistas do Itaú BBA avaliam que os preços atuais das ações parecem embutir um cenário mais negativo do que os dados sugerem. O banco projeta que, caso os riscos não se materializem e o risco-país converja para uma faixa entre 400 e 500 pontos-base, o potencial de valorização das ações argentinas pode variar entre 40% e 110%.
A previsão é de que a volatilidade permaneça elevada nos próximos trimestres, condizente com países de classificação de crédito na faixa “B-“. No entanto, o banco avalia que os desequilíbrios fiscais e externos que costumam preceder crises financeiras não estão presentes no momento.
