Seguro no Brasil cobre apenas 9% das perdas por desastres climáticos, aponta relatório da Susep
Relatório aponta lacuna de proteção no país e sugere criação de seguro obrigatório de catástrofe para famílias de baixa renda.
Por Redação Diário Local
Apenas 9% das perdas econômicas provocadas por desastres climáticos no Brasil contam com cobertura do mercado de seguros. O dado foi divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia federal responsável pela fiscalização do setor, em relatório apresentado na segunda-feira (29).
O índice brasileiro está distante da média mundial, que gira em torno de 45%. Essa disparidade evidencia o que especialistas chamam de lacuna de proteção, que é o montante de prejuízos que fica sem qualquer indenização securitária após eventos como enchentes ou secas.
As enchentes ocorridas em 2024 no Rio Grande do Sul exemplificam o tamanho do problema. Segundo levantamento apresentado pela Susep, as perdas econômicas no estado foram estimadas em cerca de R$ 90 bilhões, o que resultou em uma lacuna de proteção de 93% para os afetados.
Como é a cobertura por região?
A proteção oferecida pelos seguros não é uniforme no território nacional. De acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apresentados ao grupo de trabalho da Susep, a cobertura varia drasticamente entre as regiões do país.
O Sul apresenta o maior índice de cobertura, com 16%. No Sudeste, o percentual é de 11%, seguido pelo Centro-Oeste, com 6%. No Nordeste, a proteção alcança 2% das perdas, enquanto na região Norte o índice é de apenas 0,2%.
Essa baixa cobertura impacta diretamente a recuperação de quem sofre os danos, pois reduz os recursos disponíveis para reparar imóveis, repor bens ou retomar atividades econômicas. O relatório destaca que a população economicamente vulnerável costuma ser a mais exposta a esses riscos.
O que se propõe para reduzir o risco?
O relatório da Susep contém 30 proposições para tentar ampliar a proteção. Entre elas, destaca-se a avaliação para a criação de um seguro obrigatório de catástrofe, com foco em finalidade social para atender famílias de baixa renda, moradores de áreas ribeirinhas, áreas rurais e infraestrutura pública.
Uma das propostas existentes para viabilizar esse modelo é um substitutivo ao Projeto de Lei (PL) nº 1.410/2022, apresentado pela CNseg. A ideia é realizar uma cobrança mensal de R$ 3,00 nas contas de energia elétrica, por meio de acordos entre concessionárias e seguradoras, para garantir valores acessíveis.
Nesse modelo proposto, o segurado teria direito a uma indenização estimada em R$ 15 mil, além de R$ 5 mil para auxílio-funeral. O pagamento seria liberado com base em uma lista de imóveis atingidos fornecida pelas prefeituras.
Além disso, o grupo sugere o desenvolvimento da Letra de Risco de Seguro (LRS) para captar recursos de investidores e a criação de um catálogo padronizado de riscos cobertos. O objetivo é dar segurança jurídica e clareza sobre quais eventos terão proteção, evitando disputas no momento do pagamento das indenizações.
