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Stablecoins representam 80% do volume de criptoativos declarados no Brasil

Levantamento da Receita Federal mostra que moedas digitais atreladas a dólar e real cresceram de 3,5% em 2019 para patamares acima de 90% em 2023.

Por Diário Local

A Receita Federal informou que as stablecoins, criptoativos atrelados a moedas como dólar e real, já representam cerca de 80% de todo o volume declarado de criptoativos negociados no Brasil. O levantamento foi divulgado às vésperas da primeira entrega da DeCripto, novo sistema de declaração de transações com moedas digitais.

O crescimento é expressivo. A participação das stablecoins saltou de apenas 3,5% do volume total em 2019 para 79,7% em 2022 e chegou a 91,5% em 2023, seu pico histórico. Nos últimos dois anos, a dominância se estabilizou entre 76% e 80%.

Segundo as declarações recebidas pelo órgão até dezembro de 2025, o mercado brasileiro de criptoativos movimentou cerca de R$ 1,58 trilhão entre agosto de 2019 e fim do ano passado. Desse total, R$ 1,13 trilhão, equivalente a 71,7%, correspondeu a operações com stablecoins, que buscam manter paridade próxima de 1 para 1 com uma moeda de referência.

Tether lidera entre as moedas digitais estáveis

Entre as stablecoins, a Tether (USDT), atrelada ao dólar, concentra a maior fatia, com 88,7% de todo o volume declarado nesse segmento entre agosto de 2019 e dezembro de 2025. Isso equivale a cerca de R$ 1,0 trilhão em transações.

Na sequência aparecem a USD Coin (USDC), também referenciada em dólar, com 7,1% do total, e a Brazilian Digital Token (BRZ), com 3,4%, sendo a principal stablecoin lastreada em real do levantamento.

Em termos de movimentação recente, o volume mensal negociado em stablecoins chegou a R$ 39,7 bilhões em novembro de 2025, a maior marca da série histórica.

Número de operações dispara

O avanço também é visível no número de transações. Foram declaradas 185,7 milhões de operações de compra e venda de stablecoins entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, ante um número praticamente nulo no início desse período. A alta se intensificou a partir de 2024, quando o mercado registrou recorde de 18,2 milhões de operações com stablecoins em novembro daquele ano, período em que o total de operações com criptoativos somou 31,9 milhões.

DeCripto torna declaração obrigatória

A partir de julho de 2026, as transações com criptoativos passam a ser informadas obrigatoriamente ao Fisco por meio da DeCripto, instituída pela Instrução Normativa RFB nº 2.291, de 14 de novembro de 2025. A norma alinha o Brasil ao padrão internacional da OCDE, conhecido como Crypto-Asset Reporting Framework (CARF).

A medida reforça o papel da Receita Federal no combate à evasão de divisas, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas. A Receita Federal também destacou que parte relevante do volume em stablecoins é negociada por meio de prestadoras de serviços de criptoativos sediadas no exterior, e a DeCripto torna obrigatória a entrega de informações também por essas empresas estrangeiras, desde que direcionem suas atividades ao mercado brasileiro.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.