Nova tarifa dos EUA deve afetar US$ 11 bilhões em exportações do agronegócio e indústria
Medida de sobretaxa de 25% sobre 3 mil produtos brasileiros deve impactar comércio bilateral e elevar custos, afirma Amcham Brasil.
Por Davy Albuquerque
A imposição de uma sobretaxa de 25% sobre aproximadamente 3 mil produtos brasileiros deve afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio. O alerta foi feito pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) nesta quinta-feira.
A nova medida entra em vigor no dia 22 de julho e é o desfecho de uma investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana. A decisão foi oficializada pelo governo de Donald Trump após o levantamento de possíveis práticas comerciais desleais por parte do Brasil.
Entre os pontos citados pelos Estados Unidos para justificar a sobretaxa estão questões relacionadas ao Pix, à propriedade intelectual, ao combate ao desmatamento ilegal e às regras de acesso ao mercado brasileiro. A Amcham Brasil classificou a decisão como um resultado "muito negativo" para a relação comercial entre os dois países.
Apesar do impacto sobre milhares de itens, o governo americano estabeleceu uma lista de exceções que preserva produtos relevantes da pauta exportadora brasileira. Estão isentos da nova tarifa itens como carne bovina, café, suco de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais.
Riscos para o mercado americano
Para a Amcham Brasil, além de prejudicar os produtores e exportadores brasileiros, a medida pode gerar efeitos colaterais nos Estados Unidos. A entidade avalia que a sobretaxa pode elevar custos para empresas e consumidores americanos, além de reduzir a competitividade da própria indústria dos EUA que depende de insumos brasileiros.
A entidade alerta ainda para o risco de aumentar a dependência dos Estados Unidos em relação a fornecedores asiáticos. O cenário atual já mostra uma retração no comércio bilateral, que acumula queda de 13% no ano, e a medida pode comprometer investimentos e a cooperação em setores estratégicos, como minerais críticos, energia e economia digital.
Busca por diálogo
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu que os dois governos mantenham abertos os canais de negociação. Segundo ele, embora um acordo não tenha sido alcançado de imediato, o diálogo intensificado nos últimos meses continua sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas.
A entidade também expressou preocupação com a possibilidade de novas tarifas. Caso as investigações da Seção 301 sobre trabalho forçado sejam aplicadas, as sobretaxas sobre produtos brasileiros poderão subir de 25% para até 37,5%.
