Indústria alerta que nova tarifa de 25% dos EUA ameaça competitividade das exportações brasileiras
Confederação Nacional da Indústria afirma que sobretaxa agrava insegurança para empresas e reduz competitividade do Brasil no mercado americano.
Por Davy Albuquerque
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a confirmação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos ameaça a competitividade do setor no país. Segundo a entidade, a sobretaxa agrava o cenário de pressão sobre as exportações nacionais e amplia a insegurança para empresas de ambos os mercados.
O anúncio ocorre em um momento de retração comercial entre as duas nações. Dados de comércio exterior mostram que os efeitos de medidas tarifárias anteriores já são observados no Brasil: no primeiro semestre deste ano, 20 das 27 unidades da federação registraram queda nas vendas para o mercado americano em comparação ao mesmo período de 2025.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, declarou, em nota, que o cenário tende a piorar com a nova medida. De acordo com o dirigente, o aumento pode corroer ainda mais a competitividade da indústria brasileira, sendo necessário empenho para reverter essa lógica e retomar a relação comercial construída entre Brasil e Estados Unidos.
Riscos para exportadores
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alertou que a medida cria uma diferença relevante entre os fornecedores brasileiros e os concorrentes de outros países que disputam os mesmos compradores nos Estados Unidos. A entidade destacou que o impacto efetivo dependerá da classificação tarifária de cada mercadoria e do tratamento concedido aos competidores internacionais.
Entre as possíveis consequências para as empresas brasileiras estão a pressão pela redução de preços e de margens de lucro. A Fiemg também citou a necessidade de renegociação de contratos, prazos e condições comerciais, além do risco de substituição de fornecedores brasileiros por players de outros países.
Para Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, é fundamental que haja clareza sobre quais produtos serão atingidos e quais os prazos para a implementação da medida. A transparência é vista como essencial para reduzir as incertezas que afetam as empresas exportadoras e os contratos em andamento.
Exceções na tarifa
Apesar da sobretaxa de 25%, o governo norte-americano detalhou uma lista de itens que não serão afetados pela medida. O secretário do Comércio dos Estados Unidos listou 864 exceções que devem manter as condições atuais de exportação.
Entre os produtos isentos da nova tarifa estão itens de grande peso na pauta de exportações brasileiras para o mercado americano, como terras-raras, suco de laranja e café.
