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Fiscalização

TCE exige que Rioprevidência explique aportes de R$ 118 milhões em fundos não cadastrados

Tribunal de Contas deu prazo de cinco dias para a autarquia detalhar investimentos feitos em instituições sem credenciamento prévio.

Por Redação Diário Local

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) deu um prazo de cinco dias para que o Rioprevidência explique aportes de R$ 118 milhões realizados em três fundos de investimento. As aplicações foram feitas em instituições financeiras que não possuem cadastro junto à autarquia, o que contraria normas do Conselho Monetário Nacional e regras internas do órgão.

Segundo o tribunal, o credenciamento prévio das instituições é uma medida necessária para evitar a exposição do patrimônio a fraudes, má gestão e prejuízos. O TCE aponta que o descumprimento de portarias próprias da autarquia compromete a segurança dos recursos.

Os investimentos questionados ocorreram entre os dias 24 e 29 de dezembro do ano passado. O fato acontece em um momento de crise na autarquia, após a divulgação de que o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras do Banco Master, um tipo de investimento classificado como de alto risco por especialistas.

A investigação também abrange um aporte de R$ 99,4 milhões destinado à corretora Mirae. O conselheiro José Gomes Graciosa, relator do caso no TCE, também estabeleceu o prazo de cinco dias para que o Rioprevidência se manifeste sobre essa aplicação específica.

De acordo com a decisão do relator, a Mirae é uma instituição de menor porte e não apresenta a robustez sistêmica compatível com a necessidade de gerir a folha previdenciária do Estado do Rio de Janeiro. A denúncia sobre o caso foi encaminhada ao tribunal pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD).

A irregularidade na corretora teria sido identificada em um relatório de fluxo financeiro e disponibilidade do fundo previdenciário, datado de 30 de março deste ano. O documento aponta que, embora a Mirae seja uma corretora de câmbio, títulos e valores mobiliários — e não um banco —, o dever de cautela da autarquia permanece o mesmo.

O relator Graciosa reforçou que a natureza da instituição não afasta a obrigação do Rioprevidência de adotar medidas para mitigar riscos e preservar o patrimônio público. O objetivo é garantir que os aportes sigam as cautelas necessárias para a proteção dos fundos.

O histórico de movimentações envolveu o ex-diretor de Investimentos do Rioprevidência, Nicholas Cardoso, que ocupava a função no período dos aportes em fundos não credenciados. Ele chegou a assumir a presidência interina da autarquia, mas foi exonerado pelo governador interino, Ricardo Couto, após pedido de afastamento feito pelo Ministério Público.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.