Fórmula de THC e CBD mostra eficácia no tratamento de idosos com demência
Estudo clínico aponta redução de agitação em pacientes com Alzheimer ou outros tipos de demência em estágio avançado.
Por Davy Albuquerque
Uma formulação medicinal composta por THC e CBD, componentes da cannabis, demonstrou eficácia e segurança no controle da agitação em idosos com demência em estágio avançado. Os resultados de um estudo clínico foram apresentados nesta terça-feira (14/7) durante a Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Londres.
A pesquisa, intitulada LiBBY (Benefícios do canabidiol e tetraidrocanabinol no fim da vida), acompanhou 120 pacientes com idade média de 80 anos. Os participantes possuíam diagnóstico de Alzheimer ou outros tipos de demência e apresentavam quadros de agitação, estando aptos para cuidados paliativos.
O ensaio clínico utilizou o método duplo-cego, técnica em que nem pacientes, nem cuidadores e nem médicos sabiam quem recebia a medicação ou o placebo. O monitoramento foi conduzido por dez centros médicos americanos que realizaram visitas domiciliares aos idosos participantes.
Para avaliar a resposta ao tratamento, os cuidadores utilizaram o Inventário de Agitação de Cohen-Mansfield e a Avaliação da Impressão Clínica Global de Mudança de Comportamento. Os dados apontaram que, em apenas duas semanas, o grupo que utilizou a fórmula apresentou uma redução de 6,27 pontos na escala de agitação em comparação ao grupo placebo.
A melhora observada no comportamento manteve-se constante durante as 12 semanas de tratamento. De acordo com os pesquisadores, o índice de resposta foi expressivo, com quase 90% dos pacientes reagindo positivamente à nova formulação.
Na análise de mudança de comportamento corporal, os índices de agitação no grupo tratado foram significativamente menores do que no grupo placebo. No período de duas semanas, a diferença foi de 83,9% contra 30,5%; após 12 semanas, o grupo medicado registrou 87,2% contra 23,6% do grupo de controle.
Quanto à segurança da fórmula, o estudo indicou que os efeitos adversos observados, como distúrbios gastrointestinais e infecções, foram semelhantes aos do grupo placebo (46,7% contra 42,4%). Os pesquisadores consideraram tais ocorrências esperadas para a faixa etária dos pacientes estudados.
A coautora do estudo, Brigid Reynolds, pontuou que as opções terapêuticas atuais para essas condições costumam ser limitadas e apresentam efeitos colaterais relevantes. No entanto, os cientistas ressaltam um alerta importante: a fórmula testada na pesquisa é diferente dos produtos de THC e CBD comercializados atualmente no mercado.
