Aeroporto de Maricá registra aumento de 396% no transporte de trabalhadores offshore
Movimentação de trabalhadores para a indústria de petróleo e gás saltou de 14 mil em 2022 para 69 mil em 2024, segundo levantamento.
Por Davy Albuquerque
O Aeroporto de Maricá, na Região Metropolitana do Rio, registrou um crescimento de 396% no transporte de trabalhadores offshore entre 2022 e 2024. De acordo com o Programa Macrorregional de Caracterização do Tráfego de Aeronaves (PMCTA), a unidade transportou 69 mil passageiros do setor em 2024, contra 14 mil registrados em 2022.
O avanço representa quase cinco vezes o volume observado no início da série analisada e marca o maior crescimento registrado pelo programa de monitoramento. O estudo consolida, pela primeira vez no país, informações de dez operadoras da indústria de óleo e gás sobre o tráfego de aeronaves.
De forma geral, o sistema monitorado pelo PMCTA registrou um aumento de 21% na movimentação total de passageiros entre 2022 e 2024. Ao todo, foram transportados 2,58 milhões de trabalhadores por via aérea nas bacias de Campos, Santos e Espírito Santo.
A coordenadora do PMCTA, Thalita Furtado, afirma que os dados revelam a dimensão da logística necessária para as operações offshore. Segundo ela, antes de chegarem às plataformas, os trabalhadores dependem de uma rede que envolve aeroportos, transporte terrestre, hospedagem e infraestrutura regional.
Como está a movimentação em outras bases?
Em contraste com o crescimento de Maricá, o Aeroporto Joaquim de Azevedo Mancebo, em Macaé, apresentou queda na movimentação. O número de passageiros recuou de 121 mil, em 2022, para 98 mil em 2024, uma redução de 19% que indica mudanças nas rotas operacionais das empresas na Bacia de Campos.
O Heliporto Farol de São Tomé segue como a principal base de transporte offshore do levantamento. A unidade contabilizou 980 mil passageiros no período, com a movimentação anual subindo de 280 mil, em 2022, para 380 mil em 2024, um crescimento de 36%.
O estudo aponta que o Heliporto Farol de São Tomé possui a maior dependência do setor: 90% dos passageiros atendidos pela base têm como destino operações de petróleo e gás. Thalita Furtado destaca que o local funciona como um aeroporto praticamente dedicado a essa indústria.
Sobre o monitoramento
O PMCTA é uma ação do licenciamento ambiental federal conduzida pelo Ibama, com financiamento da Petrobras. O objetivo é monitorar voos, o fluxo de passageiros e os aeroportos utilizados no transporte de profissionais para unidades marítimas de produção.
A próxima etapa do estudo busca identificar os fatores que influenciam as mudanças observadas no fluxo de passageiros. Os dados referentes ao ano de 2025 ainda estão sendo coletados pelas equipes do programa.
