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Tenda avança na recuperação da Alea e reforça confiança de analistas em produção

Analistas visitaram operações em Ribeirão Preto e confirmam evolução dos custos e melhorias operacionais conforme cronograma da construtora.

Por Diário Local

Analistas do Itaú BBA e do JPMorgan saíram com avaliação positiva após visitarem as operações da Tenda em Ribeirão Preto, onde inspecionaram os canteiros de obras da Alea e se reuniram com a administração para discutir os avanços do plano de recuperação da subsidiária.

A equipe do Itaú BBA, liderada por Elvis Credendio, reforçou a percepção de que a recuperação da Alea segue conforme o planejado. O banco destacou que as melhorias operacionais e a redução de custos estão evoluindo em linha com o cronograma da administração. Na avaliação do Itaú, a implementação bem-sucedida da produção de quatro casas por dia no primeiro polo de construção, somada à próxima etapa de otimização com redução do quadro de funcionários nos canteiros, aumenta a confiança de que a Alea poderá atingir o equilíbrio do fluxo de caixa operacional.

O banco também ressaltou o bom momento da operação tradicional da Tenda, impulsionado pelo crescimento dos lançamentos, forte velocidade de vendas, margens brutas elevadas e geração de fluxo de caixa livre. Mesmo após a valorização de 57% das ações em 2026, o Itaú BBA segue vendo a companhia como uma das principais oportunidades de investimento no segmento de habitação popular.

A equipe do JPMorgan, chefiada por Marcelo Motta, também afirmou que a visita reforçou uma visão positiva sobre a companhia, refletindo os esforços da Alea para aumentar a eficiência operacional e a produtividade. Apesar disso, o JPMorgan acredita que a operação ainda não deverá gerar fluxo de caixa livre positivo antes do fim deste ano.

Modelo operacional busca maior produtividade

Segundo o JPMorgan, o modelo operacional da Alea é dividido em três grandes etapas: fundação, montagem e acabamento. É justamente na fase de acabamento que estão concentrados os principais desafios atuais, especialmente em áreas molhadas, tetos e acabamento de paredes.

O objetivo da empresa é que cada polo de construção produza cerca de 1 mil unidades por ano, com aproximadamente 48 funcionários, ante cerca de 85 atualmente. Isso elevaria o índice de produtividade para 0,55, equivalente à construção de quatro casas por dia, com potencial de avanço adicional conforme os processos se tornem mais eficientes.

A mão de obra é organizada por especialidades, como instalações hidráulicas e elétricas, e a remuneração é vinculada às tarefas concluídas, modelo que, segundo a companhia, contribui para manter as equipes motivadas. O banco destaca que os custos de mão de obra nos canteiros representam 21% do custo total das unidades, bem abaixo dos 44% observados na construção convencional.

O JPMorgan também destacou o avanço da industrialização da construção, com a produção em fábrica de kits hidráulicos, elétricos e painéis de distribuição de energia, que antes eram montados nos próprios canteiros. Outro diferencial é que a Caixa Econômica Federal já realiza a medição das obras diretamente na fábrica, o que contribui para reduzir a necessidade de capital de giro e melhora a geração de fluxo de caixa livre.

Crescimento deve acelerar após melhora de rentabilidade

A administração reiterou que a prioridade é melhorar a rentabilidade da Alea antes de acelerar o ritmo de lançamentos. Após atingir a meta de redução de custos até o fim de 2026, o foco passará a ser ampliar a escala das operações para elevar a lucratividade.

A companhia continuará adquirindo terrenos para sustentar seu pipeline de médio prazo e pretende inaugurar um terceiro polo de construção na região de Campinas no início de 2027. A expectativa é que cada novo polo leve cerca de um ano para alcançar o mesmo nível de eficiência operacional observado atualmente em Ribeirão Preto.

A produção deve atingir entre 3 mil e 4 mil unidades em 2027, permitindo que a Alea alcance o equilíbrio do fluxo de caixa ao longo do ano e eleve o ROIC (Retorno sobre o Capital Investido) para patamares ligeiramente inferiores aos da operação tradicional da Tenda até o fim de 2027.

Além disso, a administração destacou que o desempenho das vendas continua forte, indicando espaço para novos reajustes de preços. A empresa também pretende lançar protótipos de empreendimentos enquadrados nas Faixas 3 e 4 do programa Minha Casa, Minha Vida em 2027. No curto prazo, a Alea também poderá atuar como prestadora de serviços de construção para terceiros, aproveitando sua eficiência operacional em empreendimentos horizontais.

Recomendações de compra mantidas

Segundo o JPMorgan, a meta da Alea é alcançar um ROIC semelhante ao da operação tradicional da Tenda, mesmo operando com margem bruta entre 2 e 3 pontos percentuais inferior. O banco destaca ainda que a Tenda negocia atualmente a 5,3 vezes o lucro estimado para 2027 (P/L), abaixo de Cury, com 7,3 vezes, e Direcional, com 6,8 vezes.

Ao fim da visita, Itaú BBA e JPMorgan reiteraram recomendação equivalente à compra para as ações da Tenda. O preço-alvo definido pelo Itaú BBA é de R$ 43, enquanto o JPMorgan projeta R$ 48,50 por ação.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.