Taxas do Tesouro Direto registram maior alta diária após eleição de Lula
Títulos prefixados tiveram salto histórico de juros após segundo turno; simulações mostram risco de perda na marcação a mercado.
Por Redação Diário Local
As taxas de juros nos títulos prefixados do Tesouro Direto registraram a maior alta diária de sua série histórica na última segunda-feira (26). O movimento ocorreu no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O salto nas taxas impacta diretamente o preço dos papéis devido ao mecanismo de marcação a mercado. Na prática, quando as taxas de juros de novos títulos sobem, o valor de mercado dos títulos antigos diminui, pois ninguém aceita pagar o mesmo preço por um papel que rende menos do que as novas ofertas.
Simulações feitas pelo educador financeiro Matheus Oka, da Fire|ce, mostram o efeito prático dessa volatilidade. Um investidor que aplicou R$ 10 mil no Tesouro Prefixado 2029 na sexta-feira (23), quando a taxa era de 12,76% ao ano, e decidiu vender o título na segunda-feira (26), após a taxa subir para 15,26%, teria uma perda de aproximadamente R$ 458, ou 4,6% do capital.
Como funciona a marcação a mercado?
O mecanismo funciona como uma gangorra: quando a taxa de juros sobe, o preço do título desce. No caso do Tesouro Prefixado 2029, a oscilação foi severa no curto prazo, mas o impacto depende da estratégia do investidor.
É importante destacar que a perda financeira só se torna real para quem decide vender o título antecipadamente. Para o investidor que mantiver o papel até a data de vencimento, em janeiro de 2029, o rendimento será exatamente o percentual contratado no momento da compra.
A marcação a mercado apenas demonstra quanto o título vale hoje para uma venda imediata, não alterando o valor final para quem cumpre o prazo acordado.
Quais os riscos para prazos longos?
Títulos com prazos de vencimento mais distantes, como o Tesouro IPCA+ 2032, tendem a ser mais sensíveis às variações de juros. Enquanto o Prefixado 2029 tem um vencimento em pouco mais de dois anos, o IPCA+ 2032 vence em quase seis anos, o que amplifica as oscilações de preço.
Uma simulação de aporte de R$ 10 mil feita na terça-feira (27) aponta que, em um cenário de alta de 1,2 ponto percentual nos juros, o investidor do IPCA+ 2032 poderia registrar prejuízo na saída antecipada. Já no cenário de queda de juros, esse mesmo título poderia render até R$ 1.111 de lucro adicional em seis meses.
Em relação à estratégia de investimento, a recomendação varia conforme o objetivo. Para quem busca resgatar o dinheiro em datas próximas ao vencimento, as taxas atuais são consideradas historicamente altas. Já para quem pode precisar do recurso a qualquer momento, o ideal é buscar ativos de liquidez diária, como o Tesouro Selic, que sofrem menos com a volatilidade das taxas.
