Trânsito e custo de estacionamento prejudicam o comércio em Belo Horizonte
Pesquisa da Fecomércio MG revela que 70% dos empresários da capital avaliam o trânsito como ruim ou péssimo.
Por Redação Diário Local
Cerca de 70% dos empresários de Belo Horizonte avaliam o trânsito da capital como ruim ou péssimo, conforme aponta pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) divulgada na última sexta-feira (31).
O levantamento indica que a mobilidade urbana impacta a competitividade das empresas. Para 37,2% dos entrevistados, as limitações no deslocamento de pessoas, veículos ou cargas causam dificuldades para a atividade comercial.
A dificuldade de chegada ao estabelecimento, o aumento dos custos logísticos e a demora na entrega de mercadorias são apontados como fatores que reduzem a eficiência econômica. Segundo a análise da Fecomércio MG, a perda de competitividade ocorre também diante de modelos como o comércio eletrônico e grandes centros comerciais fechados.
Quais os problemas com estacionamento e carga?
O custo do estacionamento foi citado por 74,1% dos empresários como um dos principais obstáculos para atrair consumidores ao comércio de rua. A escassez de vagas e os preços elevados desestimulam compras rápidas e reduzem o tempo de permanência dos clientes nas regiões comerciais.
No Centro de Belo Horizonte, a situação é agravada pelos preços dos estacionamentos privados e pelas regras do estacionamento rotativo, que permite a permanência por apenas uma ou duas horas. De acordo com o Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindlojas-BH), essa dinâmica faz com que o Centro perca movimento para os bairros.
A logística de abastecimento também é um desafio: 62,6% dos respondentes sentem impactos na carga e descarga de mercadorias. A insatisfação decorre de restrições de horários, falta de vagas específicas e conflitos entre a circulação de veículos e o abastecimento, o que encarece a distribuição e atrasa a reposição de estoques.
Como o transporte público afeta o setor?
A disponibilidade de transporte público após as 22h também é um ponto de atenção. A maioria dos empresários (29,1%) classificou a oferta de ônibus nesse horário como ruim ou péssima, enquanto 22% a consideraram regular.
A precariedade do transporte noturno gera consequências para a operação das empresas, como a dificuldade de encontrar candidatos para trabalhar à noite, aumento de atrasos e faltas, além da necessidade de as empresas buscarem soluções próprias de transporte. Segundo a Associação dos Lojistas de Shopping Centers de Minas Gerais (Aloshopping-MG), o tema é sensível para shoppings, que operam após as 22h.
Quanto às tarifas, a opinião dos empresários se divide: 49,9% afirmam que o aumento do valor do transporte impacta os negócios, enquanto outros 49,9% dizem que não. Entre os que apontam impacto, 54,1% indicam aumento na matriz de custos, 26% apontam redução do quadro de funcionários e 17,9% relatam a redução de clientes.
