Usiminas enfrenta cenário desafiador para o segundo semestre com pressão de custos e importações
Bradesco BBI reduz preço-alvo da siderúrgica devido a custos elevados, menor repasse de preços e aumento das importações de aço.
Por Davy Albuquerque
As ações da Usiminas atravessam um período de correção após registrarem valorização expressiva no início do ano. O movimento ocorre em um cenário onde a siderúrgica enfrenta desafios para o segundo semestre, com pressão sobre as margens e incertezas relacionadas ao mercado de aço.
De acordo com análise do Bradesco BBI, a empresa deve lidar com a combinação de custos mais elevados e uma menor capacidade de repasse de preços aos clientes. Esse fator tende a comprimir os resultados da companhia nos próximos meses.
A instituição financeira também destacou que o aumento das importações de aço representa um fator de preocupação para a indústria nacional. O fluxo de produtos estrangeiros reduz a previsibilidade sobre a evolução dos resultados financeiros da Usiminas.
O que dizem os bancos sobre o papel da Usiminas?
O Bradesco BBI adotou uma postura cautelosa ao reduzir o preço-alvo das ações da siderúrgica de R$ 10,00 para R$ 8,50 ao final deste ano. O banco mantém sua recomendação como neutra, entendendo que a relação entre risco e retorno está equilibrada no curto prazo.
As projeções de receita líquida do banco para a empresa também foram revisadas para baixo. Para 2026, a estimativa de receita passou para R$ 23,97 bilhões, enquanto para 2027 a projeção é de R$ 24,68 bilhões e para 2028 de R$ 25,98 bilhões.
Já o Goldman Sachs mantém a recomendação de compra para a companhia, fundamentada na alavancagem operacional da empresa frente a um mercado de aço doméstico mais apertado. Apesar do otimismo no sentido da compra, o banco reduziu o preço-alvo de R$ 10,50 para R$ 10,00.
Expectativas de lucro e margens
As estimativas de lucro também variam entre as instituições. O Bradesco BBI prevê que a Usiminas registre um prejuízo de R$ 3,08 bilhões em 2025, com recuperação para lucros de R$ 1,35 bilhão em 2026 e R$ 1,01 bilhão em 2027.
A XP Investimentos apresenta uma visão de recuperação. O banco projeta que a margem da Usiminas, que ficou próxima de 4% no final de 2025, avance para níveis de dois dígitos entre 2026 e 2027, impulsionada pela melhora do ambiente para o setor siderúrgico no Brasil.
Contudo, a XP ressalta que a geração de caixa da empresa deve permanecer limitada devido ao ciclo de investimentos intensivos em capital. A instituição estima um fluxo de caixa livre de cerca de 5% para o biênio 2027-2028.
