Brasil pode atingir 3 milhões de veículos eletrificados vendidos até 2030, afirma diretor
Indústria projeta crescimento com fabricação local e chegada de novos modelos, segundo diretor da ABVE.
Por Redação Diário Local
O Brasil pode atingir o marco de 3 milhões de emplacamentos de veículos eletrificados até 2030, de acordo com projeção de Adriano Rufino, diretor da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A estimativa, apresentada em painel durante o Global Agribusiness Festival (GAFFF), inclui inclusive a chegada dos eVTOLs, conhecidos como "carros voadores", ao território nacional.
A projeção ocorre em um momento de celebração para o setor, que atingiu nesta semana a marca de 1 milhão de veículos eletrificados em circulação no país. O número abrange modelos elétricos, híbridos plug-in e híbridos plenos, evidenciando o crescimento da categoria no mercado interno.
Atualmente, 30 montadoras atendem à demanda por esses modelos no Brasil. Segundo Rufino, que também é vice-presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável, o país ainda possui grande espaço para expansão, visto que outros países da América Latina apresentam índices de crescimento superiores aos brasileiros.
Produção nacional e concorrência
Das empresas que atuam no setor, 16 marcas já produzem veículos elétricos em solo brasileiro. Entre os fabricantes instalados estão o grupo Stellantis e montadoras chinesas, como a Baic, que anunciou a construção de uma fábrica local e o lançamento de 10 novos modelos na região.
A montadora GWM também é um dos destaques da produção nacional. A companhia iniciou as operações de sua fábrica em Iracemápolis (SP) em 2025, ocupando uma unidade anteriormente utilizada pela Mercedes-Benz.
Thiago Sugahara, gerente de ESG e stakeholders da GWM no Brasil, afirma que a transformação do mercado automotivo foi determinada pela chegada de fabricantes estrangeiros no início desta década. Para o executivo, a entrada desses novos players trouxe tecnologias que antes eram inacessíveis aos brasileiros, oferecendo preços mais competitivos para modelos elétricos e plug-in.
Impacto tributário e tecnologia flex
O movimento de expansão também é atribuído a políticas fiscais iniciadas em 2016, quando o Governo Federal promoveu a redução de impostos sobre veículos eletrificados. A medida permitiu que as montadoras testassem tecnologias de mercados mais maduros no Brasil, embora as tarifas alfandegárias tenham previsão de aumento progressivo até 2026.
Outro fator de estímulo à demanda é o desenvolvimento de veículos híbridos plug-in flex, que permitem o uso de etanol. Empresas como a GWM têm se aliado a indústrias locais para adaptar essas tecnologias à matriz energética brasileira, aproveitando o potencial do combustível renovável.
Dados do setor indicam que a preferência do consumidor está concentrada em modelos de maior autonomia e eficiência. Atualmente, 80% de todos os veículos eletrificados comercializados no país são modelos híbridos plug-in ou totalmente elétricos.
