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Economia

XP vê oportunidade em ações brasileiras apesar de juros reais próximos de 8%

Estrategistas da XP avaliam que o mercado acionário já precificou os juros altos e oferece relação risco-retorno atrativa.

Por Redação Diário Local

Estrategistas da XP avaliam que investir em ações brasileiras continua sendo uma opção positiva, mesmo diante de um cenário de juros reais elevados, que no Brasil atingiram patamares próximos de 8% ao ano. Segundo a equipe de estratégia da corretora, parte desse ambiente de juros altos já está incorporada aos preços atuais dos ativos de risco.

A análise, detalhada em relatório com visão para o mês de agosto, aponta que o mercado acionário passou por uma compressão nos últimos meses. Isso gerou uma relação entre risco e retorno mais atrativa do que os números dos juros sugerem inicialmente. O prêmio de risco do Ibovespa, que mede o retorno esperado das ações acima dos juros reais, está em torno de 4%.

Quais setores oferecem melhores oportunidades?

A atratividade para o investidor não é uniforme entre todos os segmentos da Bolsa. De acordo com a XP, as ações ligadas à economia doméstica, classificadas como cíclicas domésticas, são as que apresentam a melhor relação entre valuation e juros reais no momento.

Essas empresas foram as mais afetadas pela alta das taxas de longo prazo e, atualmente, negociam com desconto relevante frente às suas médias históricas. Já os setores de commodities, impulsionados por empresas de petróleo e gás, aparecem como relativamente mais caros após liderarem o desempenho na Bolsa em 2026.

Pelo indicador de preço sobre lucro (P/L), o Ibovespa negocia a cerca de 8,4 vezes o lucro projetado. O número está próximo da média dos últimos cinco anos e abaixo da média histórica de longo prazo, que é de aproximadamente 10,5 vezes.

Dinâmica de fluxo e projeções para o Ibovespa

A XP também destaca a movimentação de investidores como um ponto de apoio. Em julho, após dois meses de saídas, o investidor estrangeiro registrou uma entrada líquida de aproximadamente R$ 3,3 bilhões na Bolsa brasileira, o que contribuiu para o avanço de 3,5% do Ibovespa no mês.

Apesar da volatilidade esperada devido às discussões fiscais e ao nível de juros, a corretora acredita que o risco de queda do índice é limitado. O índice de sentimento da casa permanece próximo de um nível de "extremo pessimismo", o que historicamente costuma preceder recuperações de mercado.

Para o fechamento de 2026, a XP mantém sua projeção de 200 mil pontos para o Ibovespa no cenário-base. Em uma projeção otimista, que considera a queda dos juros reais para 5,5%, o índice poderia atingir 260 mil pontos. No cenário pessimista, com juros reais em 8,5%, o valor estimado é de 159 mil pontos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.